O braço-direito de André Ventura é acusado de pressões internas. Dois fundadores do Chega saíram do partido e denunciaram ilegalidades nas assinaturas. Dez meses depois da constituição do Chega como partido, a imprensa revelou que dois dos seus fundadores saíram do partido, deixando denúncias de ilegalidades que estão a ser investigadas pelo Ministério Público.

“Entre nós, ninguém nunca acreditou que o responsável por organizar e contar as assinaturas não tenha reparado que existiam 300 páginas todas com a mesma caneta, a mesma letra e assinaturas todas parecidas”, afirmou à imprensa Pedro Perestrello, um dos fundadores que abandonou o Chega.

Também Jorge Castela, advogado e economista, que também se afastou do partido quando o caso chegou à justiça (partido assumiu as irregularidades detectadas), enviou um email ao núcleo duro do partido, no qual falava em “prática criminosa”, “dolo e negligência” e criticava o “secretismo” com que o processo de assinaturas havia sido conduzido por Nuno Afonso, hoje chefe de gabinete do deputado Ventura.

“Estamos a falar de um lote de assinaturas em número superior a 1300, de fichas em que era manifesta e imediatamente perceptível tratarem-se de documentos falsificados e/ou contrafeitos”, lê-se na mensagem electrónica divulgada na imprensa.

Recorde-se que o partido entregou 8312 assinaturas, 1813 das quais não foram validadas pelo Tribunal Constitucional, o que obrigou a estrutura a entregar mais 2223 (826 com problemas) nos dias seguintes.

Nuno Afonso rejeita responsabilidades nas falsificações e André Ventura (que anteriormente foi militante do PSD e seu candidato à Câmara de Loures) defende-o. “Eu penso que, na altura, quem quisesse ver as assinaturas, o Nuno Afonso nunca iria recusar”, justificou o deputado, para quem é injusto responsabilizar apenas a pessoa na qual a tarefa foi centralizada.