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	<title>Alternativa, autor em Alternativa Portugal</title>
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	<title>Alternativa, autor em Alternativa Portugal</title>
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		<title>Retomemos o espírito de Aljubarrota!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 08:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Henriques]]></category>
		<category><![CDATA[Batalha de Aljubarrota]]></category>
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		<category><![CDATA[D. Nuno Álvares Pereira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A 14 de Agosto de 1385, travou-se a Batalha de Aljubarrota: uma grande vitória militar portuguesa. Retomemos o espírito de Aljubarrota!</p>
<p>O conteúdo <a href="https://alternativaportugal.org/retomemos-o-espirito-de-aljubarrota/">Retomemos o espírito de Aljubarrota!</a> aparece primeiro em <a href="https://alternativaportugal.org">Alternativa Portugal</a>.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>A</strong> <strong>14 de Agosto de 1385, a uns 12 quilómetros a sul de Leiria, travou-se a Batalha de Aljubarrota: uma grande vitória militar portuguesa. O exército português, chefiado por D. João I de Portugal, derrotou o exército invasor de D. João I de Castela; nessa peleja, uma das mais decisivas da nossa História, pouco mais de 6 mil portugueses fizeram frente a cerca de 36 mil castelhanos.</strong> <strong>640 anos depois, retomemos o espírito de Aljubarrota! </strong></p>
<p>A brilhante vitória das nossas armas foi o prémio merecido por aqueles que não desistiram de lutar pela liberdade e integridade da Pátria, que não se intimidaram com o poder e número dos inimigos e também com o tempo que durariam as provações e nem recearam o montante dos sacrifícios em bens e vidas. Aqueles nossos antepassados deram-se totalmente à Pátria da qual somos herdeiros e continuadores.</p>
<p>Invadindo Portugal com um poderoso exército, propunha-se o rei castelhano esmagar as reduzidas forças que se opunham às suas pretensões ao trono de Portugal; apoiava-se o intruso nos direitos que, ao uso da época, lhe assistiam pelo casamento com a filha do nosso Rei D. Fernando, falecido anos antes e sem deixar sucessor.</p>
<p>A <a href="https://www.fundacao-aljubarrota.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Batalha de Aljubarrota</a> pôs termo a uma crise em que a independência de Portugal esteve em grave risco. Porém, já então estava suficientemente amadurecido o sentimento da nossa identidade nacional, distinta e acima de qualquer outra consideração que não fosse o querer colectivo dum povo homogéneo e unido, herdeiro de um passado talhado a golpes de heroísmo e caldeado na comunhão de aspirações por um futuro ousado e maravilhoso, impelido nas asas do sonho e da aventura.</p>
<p>A independência de Portugal ficara assim consolidada, graças à vontade indómita de um povo que preferia morrer lutando, para continuar em liberdade o que dele sobrevivesse, do que ficar prisioneiro e desonrado sob o jugo de estranhos. A magnífica lição que colhemos daquele acontecimento impõe-nos o dever e a honra de continuar Portugal.</p>
<h3>Retomemos o espírito de Aljubarrota!</h3>
<p>Como ensinamentos avultam o da fé nos destinos duma Pátria livre, o da confiança nas virtudes dos chefes naturais saídos da comunidade nacional e, também, o da fidelidade ao passado histórico da Grei.</p>
<p>A fé nos destinos da Pátria tem as suas raízes no mais puro patriotismo e não carece de outros fundamentos porque a consciência cívica é naturalmente inclinada a ter fé no objecto de sua afeição; ama-se naturalmente a Pátria de que somos parte e para ela queremos o melhor porvir, tal como se ama sem reservas a mãe que nos deu o ser, nos acarinhou e nos criou com mil cuidados e sacrifícios, a quem queremos feliz e honrada.</p>
<p>Foi admirável a confiança depositada pelo povo nos seus chefes naturais, em homens como o Mestre de Avis que assumiu as responsabilidades da governação do Reino, ou como o <a href="https://alternativaportugal.org/nuno-alvares-pereira-exemplo-heroico-em-tempo-de-crise/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Condestável D. Nuno Álvares Pereira</a>, verde em anos, mas modelo de bravura e distinto na chefia militar; e também em homens como João das Regras, delegado popular nas Cortes, onde conduziu com rara mestria e muita tenacidade a defesa da única solução que interessava a Portugal, ou ainda como Álvaro Pais que foi a alma do levantamento e fiel intérprete da vontade popular.</p>
<p>O nosso passado histórico não contava então mais de 250 anos, mas já era muito rico de sucessos vividos em acções heróicas concretizadas na construção duma Pátria livre e na consolidação dum Estado soberano; esse passado implicava a existência dum instinto colectivo nascido de trabalhos e perigos partilhados, verdadeira consciência cívica impondo aos Portugueses completa fidelidade à sagrada herança dos seus Avós.</p>
<p>É nosso dever não nos deixarmos sucumbir ante a magnitude do desastre de 1974; pelo contrário, hoje mais do que nunca, com os olhos postos nos exemplos dos nossos maiores, tal como em Aljubarrota, cerremos fileiras formando um quadrado único e coeso, sobre o qual se erga altiva apenas a Bandeira das Quinas, e contra o qual se desfaçam os assaltos dos inimigos internos e externos de Portugal! Portugueses, retomemos o espírito de Aljubarrota!</p>
<p><strong>Luís Henriques</strong></p></div>
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		<title>Julho e Agosto: o Verão e as nossas Batalhas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Aug 2026 08:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Maria das Dores Folque]]></category>
		<category><![CDATA[Batalha de Alcácer Quibir]]></category>
		<category><![CDATA[Batalha de Aljubarrota]]></category>
		<category><![CDATA[Batalha de Ourique]]></category>
		<category><![CDATA[Cruz de Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi nos meses de Julho e Agosto, em pleno Verão portanto, que aconteceram algumas das Batalhas que mais impacto tiveram na nossa História.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>25 de Julho de 1139.</strong> <strong>Festa litúrgica de Santiago, o Apóstolo da Península — Data da retumbante vitória de Ourique. O príncipe D. Afonso, neto de D. Afonso VI de Leão, Castela e Galiza e filho de D. Henrique, Conde de Portucale, afirma-se o grande vencedor e é aí aclamado Rei de Portugal. Foi nos meses de Julho e Agosto, em pleno Verão portanto, que aconteceram algumas das Batalhas que mais impacto tiveram na nossa <a href="https://sociedadehistorica.pt/" target="_blank" rel="noopener">História</a>.</strong></p>
<p>Episódio histórico envolto em lenda e rico de espiritualidade. Uma vitória impossível, mas assegurada por Cristo crucificado, que se revela e fala com aquele que irá ser o primeiro rei de Portugal.</p>
<p>Nasce um reino independente que vai perdurar ao longo de séculos, atravessando glórias e vicissitudes.</p>
<p>Episódio histórico incontornável.</p>
<h3>Julho e Agosto: o Verão e as nossas Batalhas</h3>
<p><strong>4 de Agosto de 1578.</strong> Data da malograda batalha de Alcácer Quibir. Episódio envolto em mistério, em confusão de diferentes versões e ânsia pelo rei desaparecido que um dia regressará ao reino, numa manhã de nevoeiro.</p>
<p>Uma derrota que há quem afirme que nem isso terá sido. Mais difuso é impossível. Para uns, o rei morreu, para outros fugiu e para outros apenas terá ido passear para as margens do rio, não se sabendo mais do seu paradeiro.</p>
<p>Para pôr uma pedra sobre o assunto, Filipe II (Filipe I de Portugal) deu sepultura ao rei (?) no Mosteiro dos Jerónimos procurando assim acabar com o sebastianismo. Não conseguiu e este tornou-se um componente endémico no povo luso.</p>
<p>Foi o adeus à independência, até 1640.</p>
<p>Episódio histórico incontornável.</p>
<p><strong>14 de Agosto de 1385.</strong> Data da vitória esmagadora dos portugueses chefiados por D. João Mestre de Aviz e D. Nuno Álvares Pereira, Condestável do reino, sobre o exército de D. João I de Castela.</p>
<p>É a <a href="https://alternativaportugal.org/retomemos-o-espirito-de-aljubarrota/" target="_blank" rel="noopener">batalha real</a> designada por muitos como sendo “A Batalha”. Castela arrasada por um exército inferior em número, mas muito superior em chefia e ânimo. O <a href="https://alternativaportugal.org/nuno-alvares-pereira-exemplo-heroico-em-tempo-de-crise/" target="_blank" rel="noopener">Condestável</a> “revestido da armadura de Deus” e seus homens arregaçaram mangas, prepararam o terreno e conduziram o inimigo para o local onde o dizimaram.</p>
<p>Foi a consolidação da independência que perdurou séculos. Foi também o sacrifício de muitos “para que os vindouros não venham a passar o que nós passamos”, segundo palavras do grande Dom Nuno.</p>
<p>Daqui nasceu a vontade também de expandir Portugal e a Fé na Cruz de Cristo.</p>
<p>Episódio histórico incontornável.</p>
<p>Duas vitórias e um fracasso que muito têm a ensinar-nos. Assim lhes prestemos a devida importância. Para que as vitórias se repitam e os erros se evitem.</p>
<p>Para Continuar Portugal.</p>
<p class="Default"><strong>Maria das Dores Folque</strong></p></div>
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				<div class="et_pb_code_inner"><div class="heateor_sss_sharing_container heateor_sss_horizontal_sharing" data-heateor-ss-offset="0" data-heateor-sss-href='https://alternativaportugal.org/julho-e-agosto-o-verao-e-as-nossas-batalhas/'><div class="heateor_sss_sharing_ul"><a aria-label="Facebook" class="heateor_sss_facebook" href="https://www.facebook.com/sharer/sharer.php?u=https%3A%2F%2Falternativaportugal.org%2Fjulho-e-agosto-o-verao-e-as-nossas-batalhas%2F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank" style="font-size:32px!important;box-shadow:none;display:inline-block;vertical-align:middle"><span class="heateor_sss_svg" style="background-color:#0765FE;width:70px;height:35px;border-radius:3px;display:inline-block;opacity:1;float:left;font-size:32px;box-shadow:none;display:inline-block;font-size:16px;padding:0 4px;vertical-align:middle;background-repeat:repeat;overflow:hidden;padding:0;cursor:pointer;box-sizing:content-box"><svg style="display:block;" focusable="false" 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		<title>81 anos da bomba de Hiroshima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2026 08:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Bomba atómica]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Hiroshima]]></category>
		<category><![CDATA[II Guerra Mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Japão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passaram 81 anos sobre o lançamento da bomba de Hiroshima. Crescemos a ouvir dizer que foi uma coisa boa, ou ao menos necessária.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://alternativaportugal.org/81-anos-da-bomba-de-hiroshima/">81 anos da bomba de Hiroshima</a> aparece primeiro em <a href="https://alternativaportugal.org">Alternativa Portugal</a>.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>Passaram 81 anos sobre o lançamento da bomba de Hiroshima: um crime contra a Humanidade! Crescemos a ouvir dizer que foi uma coisa boa, ou ao menos necessária. Os japoneses estavam a pedi-las, depois do ataque a Pearl Harbour. Mas quando começamos a perceber melhor o que significa uma bomba atómica largada no meio duma cidade as coisas mudam de figura.</strong></p>
<p>60 mil pessoas mortas nesse mesmo instante. 80 mil mortos nos meses sucessivos. Crianças, mulheres, idosos. Pessoas indefesas. Uma cidade reduzida a escombros. Será moral fazer um ataque destes? Não nos parece. Os fins não justificam os meios e este meio é desproporcionado e demasiado desalmado para ser, sequer, considerado.</p>
<h3>81 anos da bomba de Hiroshima</h3>
<p>Curiosamente, as cidades bombardeadas — <a href="https://alternativaportugal.org/a-entronizacao-do-imperador-do-japao-e-as-relacoes-com-portugal/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Hiroshima e Nagasaki</a> — eram, na época, as cidades mais <a href="http://senzapagare.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">católicas</a> do Japão. Já o homem que decidiu largar as bombas atómicas, Harry S. Truman, 33º Presidente dos Estados Unidos, era maçom. Coincidências, certamente.</p></div>
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				<div class="et_pb_code_inner"><div class="heateor_sss_sharing_container heateor_sss_horizontal_sharing" data-heateor-ss-offset="0" data-heateor-sss-href='https://alternativaportugal.org/81-anos-da-bomba-de-hiroshima/'><div class="heateor_sss_sharing_ul"><a aria-label="Facebook" class="heateor_sss_facebook" href="https://www.facebook.com/sharer/sharer.php?u=https%3A%2F%2Falternativaportugal.org%2F81-anos-da-bomba-de-hiroshima%2F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank" style="font-size:32px!important;box-shadow:none;display:inline-block;vertical-align:middle"><span class="heateor_sss_svg" style="background-color:#0765FE;width:70px;height:35px;border-radius:3px;display:inline-block;opacity:1;float:left;font-size:32px;box-shadow:none;display:inline-block;font-size:16px;padding:0 4px;vertical-align:middle;background-repeat:repeat;overflow:hidden;padding:0;cursor:pointer;box-sizing:content-box"><svg style="display:block;" focusable="false" aria-hidden="true" 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		<title>O &#8220;negócio&#8221; dos incêndios</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 08:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brandão Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[Bombeiros]]></category>
		<category><![CDATA[florestas]]></category>
		<category><![CDATA[Fogos florestais]]></category>
		<category><![CDATA[Incêndios]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal a arder]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se a água lançada sobre os fogos fosse equivalente à torrente de palavras ditas e artigos escritos, o “negócio” dos incêndios não existiria.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>Se a quantidade de água lançada sobre os fogos fosse equivalente à torrente de palavras, artigos, entrevistas e acções mediáticas que sobre a temática em questão já foram ditas, escritas e efectuadas, certamente que o “negócio” dos incêndios não era questão e viveríamos sem labaredas nas próximas décadas. O problema é que às palavras da boca para fora não se seguem as acções adequadas.</strong></p>
<p>Com isto dito pareceria sensato abster-me de verter no papel uma qualquer outra verborreia. E no entanto, é isso o que fazemos. A razão é simples: pensamos que apesar de tudo o que tem sido dito, 90% aplica-se a efeitos e não a causas e por isso não há soluções que resultem.</p>
<p>E, demos conta, que no fim de cinco décadas em que passou a haver incêndios a eito (eis a primeira reflexão a ter em conta!), só o ano passado houve a coragem de pôr o dedo nalgumas feridas.</p>
<p>Devemos começar por referir algumas evidências:</p>
<p>Desde sempre que houve florestas; desde sempre que houve pessoas — e o seu grau de educação sempre tem evoluído; sempre houve pirómanos e desequilibrados; sempre houve calor e outros fenómenos meteorológicos propiciadores a fogos; as preocupações com o ambiente têm aumentado (e bem) exponencialmente; os meios tecnológicos à disposição são cada vez mais e melhores, etc., tem havido tudo isto, mas o número de incêndios florestais (é desses que estamos a tratar), não cessa de aumentar!</p>
<p>Outra constatação é que se trata de um fenómeno complexo e interdisciplinar (e por isso interministerial) e é tendo isto em conta que deve ser tratado. Aparentemente as investigações feitas a nível da Polícia Judiciária, não revelaram até agora nenhuma teia de nexos. Provavelmente a razão está no que dissemos atrás: não haverá apenas uma “teia”, mas várias&#8230;</p>
<p>Julgamos que a principal razão que leva a este aumento de fogos, cuja esmagadora maioria vem a público como tendo origem criminosa — embora sempre difusa — tem a ver com “negócios” a que se convencionou chamar “o negócio do fogo”, ou “a indústria do fogo”. Ou seja, quanto mais dinheiro o governo anunciar que vai injectar no combate aos fogos, mais fogos irá haver&#8230;</p>
<h3>O &#8220;negócio&#8221; dos incêndios</h3>
<p>Sem querermos referir dados concretos iremos dissertar sobre algumas áreas onde o “negócio” do fogo pode ter lugar e noutras onde o “combate” não se está a fazer com a desejada eficácia. O assunto é melindroso, mas tem de ser tratado. Não se pretende lançar acusações ou generalizar, mas é preciso “podar os ramos podres” para não matar a árvore. A pergunta tem que ser posta e é esta: a quem interessará o fogo?</p>
<p>Eis algumas hipóteses sem preocupação de hierarquia:</p>
<p>— Ao “negócio” da compra e venda da madeira: a madeira queimada é mais barata, dá lucros a curto prazo, mas é suicidária a longo prazo;</p>
<p>— Às celulosas, no sentido em que poderão querer promover a substituição do coberto vegetal por outro de crescimento mais rápido e melhor para o negócio do papel;</p>
<p>— À especulação imobiliária, no sentido de favorecer o “negócio” da compra e venda de propriedades;</p>
<p>— Ao “negócio” da caça privada versus caça pública, atente-se às polémicas havidas;</p>
<p>— Ao “negócio” das indústrias relacionadas com o combate a fogos, viaturas, equipamentos diversos, extintores, compostos químicos, etc., alguns dos quais estão relacionados com elementos da própria estrutura de comando de bombeiros (como chegou a vir a público no passado);</p>
<p>— Ao “negócio” dos meios aéreos para combate a incêndios. Este negócio disparou nos últimos anos. Até ao governo do eng. Guterres a maioria dos meios aéreos envolvidos pertencia à Força Aérea (FA), que tinha gasto nos anos 80, cerca de 200.000 contos em equipamentos.</p>
<p>Nessa altura, cremos que em 1997, o então secretário de Estado Armando Vara entendeu (vá-se lá saber porquê!)<sup>(1)</sup>, que não competia à FA intervir nos incêndios mas sim que deveriam ser contratadas empresas civis. Compreende-se mal esta atitude a não ser pela sanha existente por parte da maioria dos políticos em menorizar os militares e as Forças Armadas. Certo é, também, que a FA não paga comissões.</p>
<p>No meio disto tudo — o que acresce à complexidade —, há um sem número de hipóteses de mão criminosa que passa por vinganças pessoais; as consequências da última lei sobre baldios; queimadas mal feitas ou ilegais; pirómanos (e alguns irão porventura parar aos bombeiros), questões derivadas de heranças e os eternos descuidos e negligências.</p>
<p>Os investigadores têm, como podem os leitores aperceber-se, muito por onde se entreter&#8230;</p>
<p>No campo da prevenção e combate tem reinado a confusão, o “complexo de quinta” e a inadequação.</p>
<p>Nesta última encontram-se as leis e o processo de as aplicar e julgar. Falar sobre isto exigiria um tratado. Em síntese, as competências entre ministério público, tribunais e polícias tem provado nas últimas décadas ser de uma grande ineficiência e fonte de problemas; o Código Penal e o Código de Processo Penal favorecem os criminosos, castigam o cidadão honesto e prejudicam o trabalho da polícia e, a montante de tudo isto e envolvendo-o como um espartilho, existe uma contumaz subversão da autoridade.</p>
<p>Ora urge fazer leis que ponham regras à venda de madeira queimada; no plantio de coberto vegetal; à obrigatoriedade da limpeza das matas e abertura de aceiros; à proibição de qualquer tipo de construção em área ardida durante “x” anos; à equidade na distribuição de terrenos destinados à caça e mais um sem número de coisas relacionadas com esta questão. E, claro, é necessário expeditar a constituição e resolução de processos e julgar e penalizar todo o indivíduo ou organização que tenha cometido um ilícito. E de não os soltar logo a seguir.</p>
<p>A estrutura da protecção civil que coordena o combate aos incêndios prima sobretudo pela falta de clareza. Isto é, não estão devidamente atribuídas responsabilidades de comando de que resulta uma evidente dificuldade na atribuição de meios e prioridades e no apuramento de responsabilidades. Para melhorar esta área torna-se necessário combater o “complexo de quinta” (muito arreigado!) e arranjar uma estrutura com comando centralizado e execução descentralizada; estabelecimento eventual de níveis diferenciados de decisão e linhas claras de autoridade. O afastamento dos militares de toda esta estrutura foi um erro crasso que após a &#8220;débacle&#8221; do ano de 2003, já foi parcialmente corrigido.</p>
<p>Temos a seguir o problema dos bombeiros. Os bombeiros sendo os “soldados da paz” (parece que só se pode criticar os soldados da “guerra”&#8230;), pelos serviços prestados e pela maioria ser voluntária goza de natural prestígio em toda a população. E têm estado até há pouco acima de qualquer crítica. Ora ninguém nem nenhuma corporação deve estar acima de qualquer crítica. O Estado tem-se valido do elevado número de corporações voluntárias para poupar nos sapadores, profissionais. Ora as exigências da sociedade actual não se compadecem com este estado de coisas. Acresce que qualquer pessoa pode ser “comandante” de um quartel de bombeiros voluntários e que a instrução e disponibilidade deixam muito a desejar. Basta aliás olhar para o fardamento e atavio para se duvidar da operacionalidade existente. Há pois que impôr alguma ordem neste estado de coisas.</p>
<p>Finalmente os meios aéreos. Somos de opinião que os meios de combate a incêndios devem estar na FA. Só quando estes forem insuficientes se devem alugar outros. Haverá apenas que compatibilizar as exigências e sazonabilidade desses meios com as condicionantes operacionais e de dispositivo militar. Mas isso não parece ser obstáculo intransponível. Acordos de cooperação entre países amigos poderão e deverão ser feitos para optimizar os recursos.</p>
<p>Os incêndios são a todos os títulos uma calamidade para Portugal que se repetem numa cadência previsível.</p>
<p>Por isso não se entende o descaso, a incompetência e a falta de vontade política que os sucessivos governos têm demonstrado face a tão gravosa situação. Parece que criámos um sistema político e uma sociedade que convive com todos os problemas e tolera todos os vícios. E não resolve nenhum.</p>
<p><strong>Brandão Ferreira</strong><br />Tenente-Coronel Piloto Aviador (Ref.)</p>
<p><span style="font-size: 10.0pt;">________________</span><br /><span style="font-size: 10.0pt;">(1) Apesar de constar nas missões secundárias da FA e o secretário de Estado não ter competência para as mudar&#8230;</span></p>
<p><span style="font-size: 10.0pt;">NOTA: Nos últimos tempos creio que alguma melhoria existiu sobretudo na organização e comando e controlo dos meios, na Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, fruto certamente da influência dos militares para lá destacados e cuja acção não parece estar a ser sabotada a alto nível, como ocorreu no passado. E tem-se conseguido pôr um pouco de ordem nos corpos de bombeiros voluntários — que no cômputo geral e desde há décadas, pareciam estar mais do lado do problema e não da solução — o que parece estar a gerar uma reacção (pelos indícios já vindos à tona) a que em linguagem popular se designa por “excesso de zelo”, “braços caídos” ou “resistência surda”. Parece que agora estão sempre a “aguardar ordens”…<br />O ponto fulcral de toda a questão, que é a <span style="text-decoration: underline;">repressão e castigo de quem prevarica</span> — desde há alguns anos a esta parte a Polícia Judiciária passou a prender dezenas e dezenas de pirómanos (será que do anterior não tinham ordens para o fazer?) e nada acontece. Nem quase nunca (pelo menos que se saiba) se chega à mão que paga…<br />Será que chamar os nomes às coisas põe em causa o “Estado de Direito democrático”, apregoado em loas quase diárias?<br />Os incêndios só raramente têm causas naturais e, seguramente, nada têm a ver com as hipotéticas alterações climáticas!</span></p></div>
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				<div class="et_pb_code_inner"><div class="heateor_sss_sharing_container heateor_sss_horizontal_sharing" data-heateor-ss-offset="0" data-heateor-sss-href='https://alternativaportugal.org/o-negocio-dos-incendios/'><div class="heateor_sss_sharing_ul"><a aria-label="Facebook" class="heateor_sss_facebook" href="https://www.facebook.com/sharer/sharer.php?u=https%3A%2F%2Falternativaportugal.org%2Fo-negocio-dos-incendios%2F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank" style="font-size:32px!important;box-shadow:none;display:inline-block;vertical-align:middle"><span class="heateor_sss_svg" style="background-color:#0765FE;width:70px;height:35px;border-radius:3px;display:inline-block;opacity:1;float:left;font-size:32px;box-shadow:none;display:inline-block;font-size:16px;padding:0 4px;vertical-align:middle;background-repeat:repeat;overflow:hidden;padding:0;cursor:pointer;box-sizing:content-box"><svg style="display:block;" focusable="false" aria-hidden="true" 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<p>O conteúdo <a href="https://alternativaportugal.org/o-negocio-dos-incendios/">O &#8220;negócio&#8221; dos incêndios</a> aparece primeiro em <a href="https://alternativaportugal.org">Alternativa Portugal</a>.</p>
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		<title>Nos 56 anos da morte de Oliveira Salazar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 08:30:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Brandão Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[António de Oliveira Salazar]]></category>
		<category><![CDATA[Estado Novo]]></category>
		<category><![CDATA[Marcello Caetano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os homens de génio aparecem esporadicamente, às vezes com intervalo de séculos... Nos 56 anos da morte de António de Oliveira Salazar.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://alternativaportugal.org/nos-56-anos-da-morte-de-oliveira-salazar/">Nos 56 anos da morte de Oliveira Salazar</a> aparece primeiro em <a href="https://alternativaportugal.org">Alternativa Portugal</a>.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>No seu discurso de tomada de posse como Presidente do Conselho de Ministros, em 26 de Setembro de 1968, Marcello Caetano disse: “Os homens de génio aparecem esporadicamente, às vezes com intervalo de séculos&#8230;” E continuava, “o País habituou-se durante largo período a ser conduzido por um homem de génio. De hoje por diante tem de adaptar-se ao governo de homens como os outros.” Nos 56 anos da morte de António de Oliveira Salazar. (Vimieiro, 28 de Abril de 1889 — Lisboa, 27 de Julho de 1970).</strong></p>
<p>Não sabemos ao certo qual o grau de sinceridade com que o Professor Marcello Caetano (que cedo se autoconstituiu como “delfim” do “velho Mestre”) pronunciou a frase — estimo que elevada — mas certamente não imaginaria quão certeiras as suas palavras se revelariam no futuro, logo relativamente a ele próprio e seus colaboradores, e a médio e longo prazo no descalabro que o país viveu após o <a href="https://alternativaportugal.org/25-de-abril-uma-historia-negra/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">25 de Abril de 1974</a> e lideranças subsequentes.</p>
<p>É certo que Marcello Caetano também afirmou e cito “a normalidade das instituições assenta nos homens comuns”, o que parece uma afirmação verdadeira e sensata, mas que, pelos vistos no nosso caso português, está longe de servir para funcionar, sobretudo enquanto estivermos sob a tutela de um regime que não é carne nem peixe, abandalhado, baseado na emanação do que sai dos partidos políticos, organizações cujo funcionamento as torna perfeitamente medíocres e desprezíveis.</p>
<p>Constatação, aliás, por várias vezes aludida (e explicada), pelo grande varão português, nascido, no Vimieiro, em 1889.</p>
<p>Salazar falava pouco, mas toda a gente o ouvia (ao contrário do que se passa hoje em dia) e, apesar de poucos entenderem o profundo significado do que dizia, todo o mundo percebia o que ele queria. Ao contrário de Marcello Caetano (que inaugurou as conversas em família, pela TV), que falava de modo a todos o entenderem, mas poucos conseguiam perceber o que ele queria ou para onde ia.</p>
<p>Salazar, se tinha dúvidas, guardava-as para si; Marcello Caetano expunha-as e, não poucas vezes, instalava-as. O caso do futuro do Ultramar foi, a esse nível, o expoente maior e que deitou tudo a perder.</p>
<p>Tal resultava também de uma outra grande diferença com Oliveira Salazar, este pensava na dúvida e actuava com Fé; ora acredito que Marcello Caetano fazia exactamente o contrário: pensava com Fé e actuava na dúvida!</p>
<p>Marcello Caetano apesar destas diferenças (haverá outras) e de não ter a autoridade por todos reconhecida ao antigo militante do <a href="http://www.cadc.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Centro Académico da Democracia Cristã</a> e professor de Coimbra, foi um bom português e prestou durante a sua vida política anterior à tomada de posse, relevantes serviços ao país, e foi um notável professor de Direito, historiador e pensador.</p>
<p>Era também um homem de família e de grande integridade pessoal, sem embargo da sua grande susceptibilidade que lhe criou muitas animosidades.</p>
<p>Estava longe de ser o cidadão mediano de que afirmou ao país, que o mesmo se teria de habituar a ter como governantes.</p>
<p>Porém, fez um percurso político do Fascismo Italiano e do Integralismo Lusitano para uma tardia democracia liberal com preocupações sociais. Não tinha, por isso, as convicções profundas do seu antecessor, tão pouco o seu “nervo” servido por uma vontade férrea que disciplinava todo o seu ser, fornecendo-lhe uma autoridade (nunca maculada por qualquer <u>falha de exemplo</u>, por mais pequena que fosse) ímpar e inquestionável.</p>
<p>Deste modo conseguiu o feito imperecível de retirar a Nação da lama, e o Estado da sarjeta, em que se arrastaram após 90 anos de Liberalismo maçónico desregrado e, sobretudo, pelos 16 anos de pavorosa anarquia, política e social, da I República.</p>
<h3>Nos 56 anos da morte de Oliveira Salazar</h3>
<p>Oliveira Salazar foi um diamante raro que se lapidou a si próprio e nunca procurou o poder, este foi-lhe oferecido: pediram que o assumisse. É, quanto o meu saber alcança, caso único no mundo.</p>
<p>Por tudo isto, ganhou uma auréola de ser o protector de todos e da Nação (“tudo pela Nação, nada contra a Nação”), o porto seguro que todos procuravam. Até de comunistas desde que abandonassem a sua ideologia e práticas malignas…</p>
<p>Este sentimento ficou expresso simbolicamente no filme “O Pátio das Cantigas” em que no meio de uma zaragata típica da Lisboa dos anos 40, Vasco Santana recolhe um grupo de crianças num barracão e diz-lhes: “Podem estar sossegados que aqui não vos acontece mal nenhum”, ao mesmo tempo que a câmara filmava uma tabuleta pendente do tecto, onde se lia a palavra “Salazar”.</p>
<p>E era verdade, Salazar zelava por todos nós, e com isso também nos habituou mal&#8230;</p>
<p>Salazar — e com ele o país — contou por vitórias e sucessos tudo o que fez e realizou, apenas com a excepção de não ter conseguido evitar a perda dolorosa das jóias portuguesas de Goa, Damão e Diu, em 1961, às mãos dos bandidos indianos que perpetraram contra Portugal um crime muito pior do que representa a actual invasão ucraniana por parte da Rússia. Muito pior.</p>
<p>A perda desses territórios — que o governo português nunca reconheceu —, até às sequelas vergonhosas que o 25 de Abril de 74 pariu, foi seguramente sentida por ele como a amputação dos próprios membros, quiçá, equiparável à dor pela morte de sua mãe, que venerava e lhe deu o nome e o ser.</p>
<p>Mas o que dói mais é constatar que a mediocridade que passou a enformar a política portuguesa (e que refaz a história a seu bel-modo) — duvido até que estes sejam “os homens como os outros” de que falava Marcello (como ele se deve ter arrependido mais tarde, no Brasil, daquilo <u>que não fez</u> no dia 24 de Abril&#8230;) —, tenha transformado Salazar num ser odioso e culpado de todos os males do País, sobretudo dos que eles próprios causaram. E continuam a denegrir a sua figura, passando para as novas gerações um conjunto infame de mentiras. Tudo se passando com a passividade bovina da maioria da população, cuja ignorância e cobardia tem sido assombrosa.</p>
<p>Coitados destes políticos (que fazem a cabeça às pessoas através da comunicação social), não chegam ao pó que ele tinha nas “botas”, nem em inteligência, nem em cultura, nem em moral, ética, competência, honestidade, tão pouco em patriotismo, muito menos na boa ou recta intenção com que fazia as coisas.</p>
<p>Ter ganho, apesar disto tudo, em concurso televisivo, manipulado contra si, sobre quem seria o melhor português de todos os tempos é, quanto a nós, expressivo mas inadequado, pois tal é de difícil ou impossível quantificação. Felizmente a história nacional regista muitos portugueses notáveis (e outros muito maus, graças a Deus!) e não faz grande sentido estar a ordená-los (e sob que parâmetros?).</p>
<p>Salazar não tinha ilusões sobre este mundo, nem sobre as coisas, e sobretudo, sobre os homens. Nunca procurou honrarias e contentava-se com uma vida modesta.</p>
<p>Agora parece ser da maior e elementar justiça, humana, política, social e histórica — e até por uma questão de redenção nacional — atribuir ao Professor Doutor António de Oliveira Salazar, que jaz humilde, por vontade própria, em campa modesta e rasa, o título de “Benemérito da Pátria Portuguesa”.</p>
<p>Ele sem dúvida que o merece e todos nós devíamos esforçar-nos por o merecer.</p>
<p><strong>Brandão Ferreira</strong><br />Tenente-Coronel Piloto Aviador (Ref.)</p></div>
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				<div class="et_pb_code_inner"><div class="heateor_sss_sharing_container heateor_sss_horizontal_sharing" data-heateor-ss-offset="0" data-heateor-sss-href='https://alternativaportugal.org/nos-56-anos-da-morte-de-oliveira-salazar/'><div class="heateor_sss_sharing_ul"><a aria-label="Facebook" class="heateor_sss_facebook" href="https://www.facebook.com/sharer/sharer.php?u=https%3A%2F%2Falternativaportugal.org%2Fnos-56-anos-da-morte-de-oliveira-salazar%2F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank" style="font-size:32px!important;box-shadow:none;display:inline-block;vertical-align:middle"><span class="heateor_sss_svg" style="background-color:#0765FE;width:70px;height:35px;border-radius:3px;display:inline-block;opacity:1;float:left;font-size:32px;box-shadow:none;display:inline-block;font-size:16px;padding:0 4px;vertical-align:middle;background-repeat:repeat;overflow:hidden;padding:0;cursor:pointer;box-sizing:content-box"><svg style="display:block;" focusable="false" 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		<title>Os horrores da Revolução Francesa: o genocídio de Vendeia</title>
		<link>https://alternativaportugal.org/os-horrores-da-revolucao-francesa-o-genocidio-de-vendeia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=os-horrores-da-revolucao-francesa-o-genocidio-de-vendeia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 08:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[Genocídio]]></category>
		<category><![CDATA[Genocídio da Vendeia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução Francesa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O primeiro genocídio dos tempos modernos foi o de Vendeia: só em 18 meses, os horrores da Revolução Francesa assassinaram 117.000 pessoas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://alternativaportugal.org/os-horrores-da-revolucao-francesa-o-genocidio-de-vendeia/">Os horrores da Revolução Francesa: o genocídio de Vendeia</a> aparece primeiro em <a href="https://alternativaportugal.org">Alternativa Portugal</a>.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>O primeiro genocídio dos tempos modernos foi o genocídio de Vendeia: só em 18 meses, até à decapitação de Robespierre em 27 de Julho de 1794, os horrores da <a href="https://senzapagare.blogspot.com/">Revolução Francesa</a> levaram a que mais de 117.000 pessoas da região de Vendeia fossem assassinadas, com o objectivo declarado de consumar um genocídio. </strong></p>
<p>Motivo: a população apoiou o credo católico e a <a href="https://alternativaportugal.org/santa-joana-darc-padroeira-de-franca/">fé em Cristo</a>. As pessoas foram mortas e esfoladas da cintura para baixo, sendo a sua pele curtida e usada para fazer calças para os soldados. 150 corpos de mulheres foram fervidos para obter 10 barris de graxa. (Fonte: <em>Reynald Secher, La Vendé Vengé: le genocide franco-français, Presses Universitaires de France, 1986</em>).</p>
<h3>Os horrores da revolução francesa: o genocídio de Vendeia</h3>
<p>O caso de Marie Leroy é por demais exemplificativo. Marie era costureira e tinha os dois pais inválidos. Negou ter escondido sacerdotes. Ficou também registado que não podia assinar a acta de julgamento por ser iletrada. A acusação proferiu: &#8220;Marie Leroy, costureira, 25 anos, solteira, de Montillié, é condenada à morte por ser muito fanática e aristocrata&#8221;. Elucidativo.</p>
<p>O general François Joseph Westermann declararia: &#8220;A Vendeia já não existe! Morreu sobre os sabres da nossa liberdade com as suas mulheres e crianças. Esmaguei as crianças sob as patas dos meus cavalos, massacrei todas as mulheres que nunca mais hão-de gerar bandidos. Não tenho que me censurar por ter feito prisioneiros. Matei-os a todos. As ruas estão cobertas de cadáveres. São tantos que em muitos lugares formam pirâmides&#8221;.</p>
<p><strong>Agostino Nobile <em>in</em> Governados Pela Mentira</strong></p></div>
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		<title>Santa Isabel: a Rainha Santa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 08:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[D. Isabel de Aragão]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Coimbra recebe o casal régio em Outubro de 1282. E Logo se nota uma grande empatia com aquela que viria a ser "Santa Isabel: a Rainha Santa".</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>Princesa da casa real aragonesa, Dona Isabel nasce em 1271. Casa por procuração com o Rei D. Dinis na cidade de Barcelona, em Fevereiro de 1282, mas Coimbra só recebe o casal régio em Outubro do mesmo ano. De pronto se estabelece uma profunda empatia com a aquela que viria a ser &#8220;Santa Isabel: a Rainha Santa&#8221;, a sua futura padroeira.</strong></p>
<p>Desde cedo, o carácter filantrópico e de pacificadora da Rainha é posto em evidência. Destacam-se alguns dos seus actos miraculosos e as intervenções de mediadora na discórdia entre D. Dinis e o seu meio-irmão, o Infante D. Afonso. Nos anos de 1319 e 1324, intervém para pôr fim aos incidentes do marido com o filho D. Afonso. Mais tarde, ao ter conhecimento da desavença entre o futuro Rei D. Afonso IV, e o seu neto, D. Afonso XI de Castela, desloca-se a Estremoz para a sua última tentativa de reconciliação. Adoecendo nessa localidade alentejana, acaba por falecer a 4 de Julho de 1336, sem ter conseguido levar a bom termo a sua missão pacificadora.</p>
<p>Este pequeno retábulo, foi encomendado por um professor universitário como forma de agradecer o auxílio da Rainha Santa na cura da paralisia de que padecia uma sua sobrinha, freira da comunidade monástica de Celas. Nele se representa Santa Isabel com as rosas e o milagre propriamente dito, bem como a sua acção de amparo aos mais desprotegidos. Em plano de fundo, descobre-se uma vista geral de Coimbra renascentista, com destaque para o Paço Real e o Mosteiro de Santa Clara.</p>
<p>A <a href="https://alternativaportugal.org/historia-sucinta-da-rainha-santa-isabel-2/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Rainha</a> é sepultada em Coimbra, no Convento de Santa Clara, conforme vontade expressa em testamento, repousando inicialmente num belíssimo túmulo de pedra esculpido no séc. XIV por Mestre Pero para, mais tarde, já no século XVII, ser trasladada para novo túmulo em prata, exposto na capela-mor do novo Mosteiro de Santa Clara.</p>
<p>Hoje, o monumento funerário encontra-se próximo do retábulo-mor da nova <a href="https://ipec.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Igreja de Santa Clara de Coimbra</a>, na companhia da venerada imagem da Rainha Santa, executada por Teixeira Lopes em 1896. Após a sua canonização ser oficializada pela Igreja Católica, os restos mortais da Rainha Santa foram trasladados para uma nova morada final. O novo túmulo em prata foi mandado fazer em 1614 pelo bispo-conde de Coimbra, D. Afonso de Castelo Branco.</p>
<p>A sua figura de Rainha Santa ficou indissociavelmente ligada ao auxílio e fundação de mosteiros e à protecção dos mais desfavorecidos, sendo por isso querida em vida e venerada como Santa, logo após a sua morte. Oficialmente, a consagração dá-se com a beatificação, a 15 de Abril de 1516, por Leão X, vindo a ser canonizada por Urbano VIII, em 25 de Maio de 1625.</p>
<h3>Santa Isabel: a Rainha Santa</h3>
<p>Após a morte de D. Dinis, em 1325, e antes de fixar residência no paço anexo ao Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, a Rainha efectuou uma peregrinação a Santiago de Compostela. Segundo a tradição, Dona Isabel oferece ao Apóstolo Santiago alfaias litúrgicas, jóias e paramentos religiosos, recebendo das mãos do arcebispo compostelano o bordão de peregrina, em forma de tau, que se encontra à guarda da Irmandade de Santa Clara.</p>
<p>Durante a abertura do túmulo da Rainha Santa, ocorrida em 1612, com o objectivo de proceder à recolha de provas para a sua canonização, repousava junto do seu corpo o báculo e o bordão de peregrina a Santiago de Compostela, oferecido em 1325 pelo arcebispo compostelano. A peça foi colocada, no século XVII, num receptáculo de prata, em forma de balaústre, encontrando-se à guarda da Irmandade da Rainha Santa Isabel.</p>
<p>Uma vez viúva, a Rainha passa a envergar o hábito de clarissa sem tomar os votos, desfazendo-se dos seus adornos. De alguns mandou fazer ornamentos e alfaias religiosas, enviando-as a várias igrejas, enquanto às Rainhas de Portugal, Castela e Aragão ofereceu diversas jóias.</p>
<p>O legado de <a href="http://senzapagare.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Dona Isabel de Aragão</a> constitui um pequeno tesouro no panorama da ourivesaria sacra medieval, embora integre uma peça de uso pessoal, o colar de ouro e pedras preciosas (inv. 6037). De acordo com a lenda, as freiras clarissas emprestavam-no aos doentes para ajudar à cura, sendo usado, em particular, pelas parturientes.</p>
<p>O acervo compreende também um relicário de coral (inv. 6036) que combina a excelência das formas irregulares e naturais do coral com as várias técnicas de trabalhar a prata, associando também a douradura à utilização repetida dos esmaltes. Ostentando os símbolos heráldicos de Portugal e de Aragão, o relicário repousa sobre dois leões de vulto pleno. Esta peça tinha o seu culminar na desaparecida representação do Calvário, plasmado nas figuras de Cristo, da Virgem e de S. João. A eleição da forma tripartida surge como alusão ao Mistério da Santíssima Trindade.</p>
<p>Do denominado “tesouro” consta ainda uma rara escultura da Virgem com o Menino (inv. 6034), singular quer pelas dimensões, quer pelos ornamentos e gemas aplicadas. É uma escultura isenta, assente sobre três leões, que recorre mais uma vez à utilização do símbolo heráldico real no cinto, em esmalte, como forma de afirmação de poder.</p>
<p>Pertencente também ao legado da Rainha Santa é a cruz de jaspe sanguíneo e prata (inv. 6035). Desta cruz processional destaca-se o magnífico nó hexagonal, onde, mais uma vez, estão inscritas as armas da Rainha. A temática escolhida enquadra-se no catecismo Cristológico — de um lado o Calvário, do outro Cristo rodeado pelo Tetramorfo, representação simbólica dos quatro evangelistas.</p>
<p>Provenientes do antigo Mosteiro de Santa Clara são igualmente duas cruzes de cristal de rocha (inv. 6040 e 6075), a primeira destas filiada nas oficinas venezianas. Recorrendo a uma iconografia de influência bizantina, os temas escolhidos aludem, num dos lados, ao episódio da Dormição da Virgem e, no outro, ao Calvário.</p>
<p>A outra cruz é, no talhe do cristal, muito semelhante a esta. Apresenta nas suas placas, em prata dourada, uma galeria de figuras bíblicas, contribuindo para exaltar o valor espiritual desta peça singular. Embora não possuam as armas de Aragão, pensamos que estas peças poderão filiar-se na acção mecenática da Rainha Santa Isabel, figura ímpar da história portuguesa.</p></div>
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				<div class="et_pb_code_inner"><div class="heateor_sss_sharing_container heateor_sss_horizontal_sharing" data-heateor-ss-offset="0" data-heateor-sss-href='https://alternativaportugal.org/santa-isabel-a-rainha-santa/'><div class="heateor_sss_sharing_ul"><a aria-label="Facebook" class="heateor_sss_facebook" href="https://www.facebook.com/sharer/sharer.php?u=https%3A%2F%2Falternativaportugal.org%2Fsanta-isabel-a-rainha-santa%2F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank" style="font-size:32px!important;box-shadow:none;display:inline-block;vertical-align:middle"><span class="heateor_sss_svg" style="background-color:#0765FE;width:70px;height:35px;border-radius:3px;display:inline-block;opacity:1;float:left;font-size:32px;box-shadow:none;display:inline-block;font-size:16px;padding:0 4px;vertical-align:middle;background-repeat:repeat;overflow:hidden;padding:0;cursor:pointer;box-sizing:content-box"><svg style="display:block;" focusable="false" aria-hidden="true" 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		<title>História sucinta da Rainha Santa Isabel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2026 08:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentos]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há muito que se impunha a publicação de um texto rigoroso com a história sucinta da vida, morte e excelsas virtudes da Rainha Santa Isabel. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://alternativaportugal.org/historia-sucinta-da-rainha-santa-isabel/">História sucinta da Rainha Santa Isabel</a> aparece primeiro em <a href="https://alternativaportugal.org">Alternativa Portugal</a>.</p>
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<strong>Muito se tem escrito acerca da vida da virtuosíssima D. Isabel d’Aragão, esposa d’El-Rei D. Dinis de Portugal, mas há muito que se impunha a publicação de um texto com a história sucinta da vida, morte e excelsas virtudes da Rainha Santa Isabel, que, apesar de conciso na sua descrição, não deixasse de relatar os factos que mais distinguiram Àquela que a cidade de Coimbra escolheu para sua Augusta Padroeira e Protectora.</strong></p>
<p><strong>Prólogo</strong></p>
<p>O que o autor deste texto teve em vista foi facultar aos fiéis, com grande economia de preço, um livrinho de leitura fácil e corrente, ao alcance de todos, onde a história sagrada da Rainha Santa possa deixar bem arraigada no espírito dos crentes a obra sublime, verdadeiramente maravilhosa, que lhe concedeu lugar na corte celestial.</p>
<p>As notas que colhemos foram extraídas, principalmente, do monumental trabalho de investigação histórica do Exmo Sr. Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, na sua tão apreciada obra “D. Isabel d&#8217;Aragão”.</p>
<p>A fama de santidade da <a href="https://alternativaportugal.org/santa-isabel-a-rainha-santa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Rainha Santa Isabel</a> estende-se por todo Portugal e por muitas terras de Espanha. Em Coimbra, porém, é tão grande que em parte alguma do nosso País se realizam festas tão pomposas em honra de um santo, como nesta cidade, onde concorrem para mais de 50.000 pessoas por essa ocasião.</p>
<p>É nos momentos de luta pela adversidade da vida que os conimbricenses, principalmente, recorrem à protecção da Rainha Santa, na sua fervorosa súplica, e se nem sempre logram alcançar a satisfação das suas preces, é já poderoso lenitivo para a sua dor a lembrança de que Ela nunca desamparou os infelizes com a sua divina graça.</p>
<p>Isabel d&#8217;Aragão, tendo sido um grande exemplo de virtudes, deu também uma prova bem frisante do seu amor a Coimbra, determinando em seu testamento que o seu corpo sagrado repousasse no Mosteiro de Santa Clara desta cidade, onde Ela esteve enclausurada, e donde foi trasladado o seu corpo para o novo mosteiro do mesmo nome.</p>
<p>É, pois, pouco quanto façam os conimbricenses em honra da memória sagrada da Sua excelsa Padroeira.</p>
<p><strong>Capítulo I. Nascimento da Rainha Santa, da corte de Aragão ao trono de Portugal</strong></p>
<p>A Rainha Santa Isabel, que Coimbra se ufana de ter como desvelada <a href="https://ipec.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Protectora e valiosa Padroeira</a>, nasceu na cidade de Saragoça (Espanha), no ano de 1271.</p>
<p>Filha do Príncipe real D. Pedro de Aragão e de sua esposa D. Constança, o seu nascimento foi desde logo iluminado pela graça divina, pois que seu avô, El-Rei D. Jaime, que até aí vivia em grande discórdia com D. Pedro de Aragão, imediatamente se congraçou com este, passando ambos a viver na mais doce harmonia.</p>
<p>Assim demonstrou Deus aos homens que esta menina estava reservada a ser na terra a medianeira da paz, o Anjo predestinado a estabelecer a harmonia e a concórdia entre os desavindos; facto que mais tarde, quando <a href="https://alternativaportugal.org/5-de-outubro-portugal-reconhecido-como-reino-independente/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Rainha de Portugal</a>, se verificou nas diversas desavenças entre seu esposo, El-Rei D. Dinis, e seu filho, D. Afonso IV.</p>
<p>A Rainha Santa Isabel foi, como já dissemos, aureolada desde o seu nascimento pela graça do Senhor. As suas preciosas virtudes bem cedo se revelaram, crescendo nela com a idade a fama que tanto a impôs à consideração de todas as cortes da Europa, facto que despertou em bastantes príncipes o desejo de possuírem como esposa tão excelsa senhora.</p>
<p>Foi à corte de Portugal, felizmente, que coube a suprema ventura de ser a preferida entre todas as outras, merecendo El-Rei D. Dinis a glória de ter como consorte um tesouro de tantas virtudes e de tão preciosos encantos.</p>
<p>O casamento de D. Dinis com D. Isabel celebrou-se por procuração na antiga cidade de Barcelona, tendo lugar este acto no dia 11 de Fevereiro de 1282, e contando a futura Rainha de Portugal apenas 11 anos de idade. Este auspicioso enlace constituiu um motivo de grande regozijo para todos os portugueses, antevendo estes os enormes benefícios deste casamento, o qual foi muito festejado e aclamado em todo o País, com demonstrações de grande alegria e verdadeira satisfação.</p>
<p>A saída de D. Isabel para Portugal causou a seus pais grandes tristezas, custando-lhes imenso essa separação pelas profundas saudades que D. Isabel deixava em todos os corações, que muito a estremeciam.</p>
<p>De Espanha até Coimbra foi a excelsa Rainha delirantemente aclamada por todo o povo que acorria à sua passagem, salientando-se mais essas carinhosas manifestações na antiga vila de Trancoso, onde, no dia 24 de Junho de 1282, no templo de S. Bartolomeu, se celebraram com toda a pompa as bênçãos nupciais.</p>
<p>Em Coimbra, onde a esse tempo residia a Corte, juntamente com a principal nobreza do Reino, as manifestações de contentamento e alegria pela chegada dos régios nubentes atingiram o mais delirante entusiasmo, conquistando logo a Rainha D. Isabel a simpatia e o amor de um povo que, mais tarde, havia de herdar o seu mais precioso tesouro — o sagrado corpo que todos hoje veneramos — e que esta cidade conserva com a mais desvelada e respeitosa devoção.</p>
<p>As manifestações de regozijo com que a cidade recebeu os régios consortes foram, pois, verdadeiramente grandiosas, vestindo a cidade as suas melhores galas para bem lhes significar o contentamento de que se achava possuída por motivo daquele enlace, cujos efeitos tanto se evidenciaram na vida da Nação portuguesa, e de que Coimbra coparticipou em larga escala pelos benéficos actos de caridade que a Santa Rainha espalhou por toda a parte.</p>
<p>Foi nesta cidade, principalmente, que D. Isabel de Aragão manifestou mais claramente a pureza da sua alma. Os actos de caridade que praticou, os socorros por ela prestados à indigência, aos órfãos, às viúvas e às donzelas abandonadas, foram os primeiros labores que lhe teceram a sua coroa de glória; a fundação de asilos, de albergues e de hospitais, que a sua magnificência sustentou e onde se recolhia uma legião de infelizes, originou, sem dúvida, a fama de santidade que bem cedo a distinguiu e que, mais tarde, a 25 de Maio de 1625, dia da Santíssima Trindade, a Igreja confirmou, englobando-a no número dos eleitos do Senhor.</p>
<p><strong>Capítulo II. Actos de Caridade</strong></p>
<p>Se durante a vida de El-Rei D. Dinis a ação da Rainha Santa foi um constante manancial de actos virtuosos, a partir do momento da sua viuvez, a sua ação tornou-se verdadeiramente exemplar.</p>
<p>O número de factos que desde então assinalam tão gloriosa existência na terra, mais e mais fazem arraigar na alma do povo a convicção dos desígnios de Deus, por Ela tão santamente interpretados.</p>
<p>Sem todavia esquecer os deveres de Rainha, que lhe absorviam uma grande parte dos seus cuidados, e não poucas vezes foram motivo de profundos desgostos, D. Isabel de Aragão cinge livremente o hábito de freira clarissa, e, volvendo os olhos piedosos para um mais largo horizonte, consagra-se completamente a obras de caridade, fundando e auxiliando hospícios e asilos, nos quais se albergam, sob a sua protecção, muitas infelizes que se regeneraram pelos seus conselhos e alcançaram na terra a felicidade que só sabem gozar as almas puras e simples.</p>
<p>Querendo encaminhar-se pela estrada luminosa que da terra se eleva até Deus, um dos seus primeiros cuidados, ao ver-se cingida pela roupagem da viuvez, foi trocar os faustos das glórias terrenas pela humildade da clausura a que, como já dissemos, livremente se sujeitou.</p>
<p>Junto dos seus paços reais corriam vagarosamente as obras para a fundação do Convento de Santa Clara, obras que prometiam eternizar-se por demandas entre os frades crúzios(1) e D. Maior Dias, fundadora daquele convento, e que certamente ficariam incompletas se não fosse o auxílio e protecção que a Rainha Santa dispensou para a sua rápida conclusão.</p>
<p>Uma vez concluído, cuidou logo a Rainha Santa em fundar junto deste convento um asilo para órfãos e para a pobreza envergonhada, chamando para junto de si algumas amas de leite com o encargo de alimentarem as crianças desvalidas!</p>
<p>A maior parte do seu tempo tinha-o a Rainha Santa distribuído por forma a satisfazer os seus deveres de Rainha e cristã; o restante, empregava-o no ministério da caridade, visitando os asilados, a quem não só consolava com a sua palavra, mas muitas vezes servia de carinhosa enfermeira, curando as chagas que lhes corroíam o corpo.</p>
<p>Nesta e em muitas outras obras de verdadeira abnegação, despendia a Rainha Santa quase toda a sua fortuna. Com o auxílio de Deus, a quem firmemente procurava engrandecer com os merecimentos das suas preciosas virtudes, nunca a Rainha Santa lutou com dificuldades para desempenhar a sua nobre missão. Os proventos de que dispunha parece que tinham o condão de se multiplicar, e, se algumas vezes houve em que o seu socorro tinha de fazer face a maiores calamidades, então eram as rosas que, adquirindo a forma de ouro reluzente, premiavam os seus actos de caridade e satisfaziam os encargos adquiridos para garantir o pão aos famintos!</p>
<p>Da sua vida, tão brilhantemente documentada na preciosa obra de S. Exa. o Sr. Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, erudito professor da Universidade de Coimbra (D. Isabel de Aragão, Coimbra, 1894), constam muitos e importantes factos da vida gloriosa da Rainha Santa, traduzidos todos eles nos mais altos benefícios em favor dos desprotegidos.</p>
<p><strong>Capítulo III. Morte da Rainha Santa</strong></p>
<p>Em Junho de 1336, teve a Rainha Santa conhecimento de que seu filho D. Afonso IV e seu neto D. Afonso XI, rei de Castela, se haviam indisposto por motivo de graves acontecimentos, tendo-se declarado a guerra entre aqueles dois poderosos monarcas.</p>
<p>Quando a Rainha Santa soube de tal resolução, imediatamente se resolveu a partir para Estremoz, lugar onde a esse tempo estava o seu filho acompanhado de toda a Corte.</p>
<p>Este propósito foi prudentemente combatido pelos médicos da Rainha Santa, os quais, temendo mais o excesso do calor e a fadiga dessa longa viagem do que a idade da virtuosa Senhora, se apressaram a demovê-la dessa resolução. Inúteis rogos e infrutíferas tentativas! A Rainha Santa, desprezando esses bons conselhos e animada somente em restabelecer a paz entre os reis desavindos — filho e neto —, parte apressadamente de Coimbra, caminhando sob um sol abrasador, e chega finalmente junto das fortalezas de Estremoz, abatida e fatigada, mas cheia de ânimo para cumprir a sua carinhosa missão.</p>
<p>Logo que a sua chegada é conhecida no acampamento de D. Afonso IV, imediatamente se suspendem as hostilidades e todos se abeiram do leito da Rainha Santa, para lhe prodigalizarem os cuidados que a sua melindrosa saúde exigia.</p>
<p>Baldados esforços porque o mal agravava-se de momento para momento. Uma pústula que rapidamente lhe apareceu num braço tornou mais melindroso o seu estado, e, no dia 4 de Julho, manhã cedo, a Rainha Santa declarou que queria receber os últimos Sacramentos. Na tarde desse mesmo dia, as forças principiaram a faltar-lhe, a Rainha Santa vê que é chegada a sua última hora, e, erguendo o pensamento até ao Céu, encarrega a Mãe de Deus de lhe receber a alma, pronunciando com toda a suavidade estes versos do hino eclesiástico:</p>
<p>Mãe de graças e Misericórdia<br />
Maria piedosa e forte:<br />
Livra a minha alma, recebe-a<br />
Na hora da minha morte.</p>
<p>A seguir, recita com visível comoção algumas orações; os olhos fecham-se lentamente, o peito deixa de arfar, e todos os presentes, estupefactos ante aquele quadro tão emocionante, compreendem que a alma pura da Rainha Santa, solta do seu venerável corpo, subia aos céus a receber o prémio das suas virtudes, descansando para sempre na paz do Senhor, onde eternamente gozará a bem-aventurança com que Deus premeia os seus eleitos.</p>
<p>É, pois, no reino celestial que a nossa Santa Protectora está a receber o prémio das suas boas acções e dos seus constantes trabalhos. Ali, no seio de Deus, junto da Virgem Santíssima, intercede pelo seu povo, por aqueles que a ela recorrem com a alma angustiada pelas dores humanas, e que jamais esquecem o seu nome para lhe tributar as homenagens do seu reconhecimento. Essas homenagens concretizam-se no culto fervoroso de todos os portugueses pela Santa Rainha, e, mui especialmente, do povo de Coimbra que por Ela nutre o maior respeito e a mais significativa devoção.</p>
<h3 style="margin: 0cm;">História da vida, morte e excelsas virtudes da Rainha Santa Isabel</h3>
<p><strong>Capítulo IV. Trasladações</strong></p>
<p>Logo após a Rainha Santa ter entregado a sua alma a Deus, o primeiro cuidado da Corte foi escolher o local para depositar o corpo de tão excelsa Senhora, opinando uns para que fosse sepultado no Convento dos Franciscanos, em Estremoz, e outros para que fosse trasladado para a Sé de Évora, a cidade mais próxima daquela terra. Por conselho de El-Rei, procurou-se o testamento de D. Isabel, e, vendo-se por ele que a Rainha Santa queria ser sepultada em Coimbra, na Igreja de Santa Clara, foi respeitada esta vontade, dando-se logo ordens para se pôr em prática o desejo ali expresso.</p>
<p>Apesar das opiniões em contrário, prevaleceram as determinações de El-Rei.</p>
<p>O préstito fúnebre saiu de Estremoz na tarde do dia 5 de Julho e, em marcha apressada, chegou a Coimbra no dia 11 do mesmo mês, tendo atravessado tão longo percurso debaixo de um sol abrasador.</p>
<p>As inúmeras pessoas que constituíam o préstito fúnebre foram tomadas de verdadeiro espanto quando, ao terceiro dia de viagem, notaram que o ataúde onde vinha o corpo da Santa Isabel começava a abrir algumas fendas, escorrendo por entre elas um líquido que todos supuseram ser proveniente da decomposição do cadáver.</p>
<p>Mas, feliz engano! Esse líquido, longe de exalar qualquer cheiro desagradável, antes era ameno e consolador, espalhando no espaço um tal aroma que, aqueles que a princípio se sentiam inquietos e desconfiados, logo se aproximaram do ataúde, louvando ao Senhor por esta manifestação da Sua omnipotência.</p>
<p>Quando o cortejo chegou a Coimbra, deram-se então cenas comovedoras e lancinantes entre a população citadina. Todos, à porfia, queriam beijar o ataúde onde vinha a sua Protectora, a sua desvelada Benfeitora, ouvindo-se choros de verdadeiro compungimento pela morte da virtuosa Rainha, cujo passado tinha sido um manancial de graças e bondade!</p>
<p>Quando o ataúde deu entrada na Igreja de Santa Clara, muita gente supôs que o corpo da Rainha Santa seria exposto à veneração do público. Tal não aconteceu. No dia seguinte, 12 de Julho, é que se celebraram os ofícios divinos por alma de D. Isabel, sendo estes actos revestidos de toda a solenidade e com a assistência de alguns prelados, professores da Universidade, Rei, cabido e muitos religiosos das diversas ordens.</p>
<p>Logo que eles terminaram, foi o ataúde transportado para uma capela que a Rainha Santa havia mandado edificar ao fundo da Igreja e na qual estava o túmulo de pedra que em sua vida também mandara construir.</p>
<p>Foi dentro deste precioso monumento de pedra, ricamente cinzelado, que se colocou o ataúde tal qual veio de Estremoz, envolvido numa pele de boi e com um pano de brocado repregado por cima.</p>
<p>Sobre o ataúde colocaram o bordão de peregrina e uma bolsa que o arcebispo de S. Tiago da Galiza ofereceu à Rainha Santa quando ela visitou esta cidade, sendo em seguida fechado o túmulo com a pesada pedra que ainda hoje o cobre e na qual vemos representada a figura da <a href="http://senzapagare.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Rainha Santa com hábito de freira</a>.</p>
<p>Assim se conservou até ao dia 26 de Março de 1612, 276 anos depois da sua morte, dia em que foi aberto por consentimento do Sumo Pontífice.</p>
<p>Esta cerimónia, que se tornou necessária para se proceder ao processo de canonização de D. Isabel, foi presidida pelo bispo de Coimbra, D. Afonso de Castelo Branco, e, tendo como assistentes, D. Martim Afonso, bispo de Leiria, Dr. Francisco Vaz Pinto, dois médicos, um cirurgião e algumas testemunhas, a quem foi confiado o encargo de examinarem os restos mortais da Rainha Santa.</p>
<p>Pedimos licença para reproduzir aqui o relato que sobre esta cerimónia encontrámos no autorizado livrinho — “História Popular da Rainha Santa Isabel” — Protectora de Coimbra.</p>
<p>“Subindo à capela superior, onde estava o túmulo, e analisando-o com todo o cuidado por fora, acharam-no exatamente como havia ficado 276 anos antes, quando sobre ele se colocara a tampa, depois de introduzido o ataúde que encerrava o corpo. Apenas a piedade dos fiéis o havia rodeado de demonstrações da fé e amor que os prendia Àquela cujos restos ali estavam encerrados.</p>
<p>“Ninguém sabia se o túmulo continha somente os ossos da Santa esposa de D. Dinis, se mais alguma coisa que ainda restasse do corpo e mortalhas; por isso, todos estavam ansiosos por que o túmulo se abrisse.</p>
<p>“Retirada a pedra, encontrou-se a bolsa e o bordão de peregrina, que foram pelo bispo-conde entregues à guarda das religiosas.</p>
<p>“O ataúde ainda se achava envolvido em restos da pele de boi e da tela vermelha que havia sido repregada por cima.</p>
<p>“Com dificuldade se despregou a tábua superior do ataúde, cortaram-se à tesoura os numerosos envoltórios em que a Santa Rainha fora amortalhada em Estremoz, antes de ser metida no caixão, os quais, se encontraram com admiração de todos, em perfeito estado de conservação, como se ali tivessem sido colocados pouco tempo antes.</p>
<p>“Por fim descobriu-se o rosto, peito e braço direito da nossa excelsa Protectora. Todos caíram de joelhos, estupefactos pelo grande milagre que viam!</p>
<p>“O corpo achava-se inteiro e incorrupto, branco como se fosse de cera, a cabeça coberta de louros cabelos, perfeitamente seguros na pele, a boca e olhos fechados e bem compostos, tendo impresso na fisionomia o cunho da bondade e majestade que haviam sido apanágio da Rainha Santa. Vestia o hábito de estamenha(2) das freiras de Santa Clara, e um pano branco de linho envolvia-lhe a cabeça. Do ataúde saía um aroma suave.</p>
<p>“À vista de tal milagre, as religiosas cantaram o hino do velho Simeão, dizendo: ‘Agora, Senhor, já podeis deixar-nos morrer em paz, porque os nossos olhos viram as grandes maravilhas do vosso poder’.</p>
<p>“Feito pelos médicos e cirurgião o exame minucioso que se lhes pedia, consertaram-se de novo as mortalhas, o túmulo fechou-se, e de tudo se lavrou o auto competente”.</p>
<p>Com o decorrer do tempo e as sucessivas enchentes do Rio Mondego, muito grave se tornou a vida monástica no convento fundado pela Rainha Santa. Como as invernias(3) ameaçassem sepultar nas areias daquele rio as paredes do convento, as religiosas receavam, e com razão, ficar sepultadas sob os seus escombros, perdendo-se neles todas as preciosidades que enriqueciam a igreja e entre as quais devemos destacar o precioso corpo da Rainha Santa.</p>
<p>Em vista, pois, dos graves e constantes perigos a que estava sujeita a comunidade do velho mosteiro, dignou-se El-Rei D. João IV ouvir os rogos das religiosas clarissas e mandou erigir no Monte da Senhora da Esperança um novo convento para sua habitação.</p>
<p>As obras deste grandioso edifício, que se prolongaram durante muito tempo, foram iniciadas no dia 5 de Julho de 1649, e só no dia 29 de Outubro de 1677, 28 anos depois, ele estava apto a receber as referidas religiosas.</p>
<p>Por ordem do Príncipe regente D. Pedro, segundo filho de D. João IV, procedeu-se no dia 27 de Outubro daquele ano à abertura do túmulo da Rainha Santa, assistindo a este acto alguns representantes da Corte, 8 bispos, professores da Universidade e muitos religiosos das diversas ordens de Coimbra. Como se verificasse que o caixão que guardava o corpo da Rainha Santa estava um tanto deteriorado, logo se procedeu à construção de um outro que o substituísse e para o qual foi mudado o corpo da veneranda Padroeira de Coimbra. Durante esta operação, quis o acaso que se soltassem algumas pregas das roupagens que envolviam os despojos de Santa Isabel, podendo assim todos os presentes ver a mão direita desta virtuosa Rainha, alva como a neve, e em tão perfeito estado de conservação que logo provocou o natural e piedoso desejo de ser osculada, como o foi com efeito, por todos aqueles que tiveram a suprema felicidade de ali estar reunidos.</p>
<p>Duraram os preparativos da trasladação para o novo convento ainda 2 dias, e, em 29 de Outubro, foi a Rainha Santa para ali conduzida em procissão, acompanhada de muitos milhares de pessoas, e tendo de atravessar por entre duas alas compactas de povo que se estendiam até ao novo convento.</p>
<p>Como a essa data não estivesse ainda concluída a igreja que hoje admiramos, foi o corpo da Rainha Santa conduzido para uma pequena sala existente ao fundo do coro, colocando-se então no precioso e riquíssimo túmulo de prata que D. Afonso de Castelo Branco, um dos mais notáveis prelados desta diocese, mandara fabricar, e no qual ainda hoje se guarda o precioso tesouro que Coimbra venera com o maior respeito e o mais devotado amor!</p>
<p>Concluída que foi a Igreja de Santa Clara, procedeu-se no dia 3 de Julho de 1696 a nova trasladação da Rainha Santa para a tribuna da Capela-Mor, lugar em que esteve durante muitos anos e donde teve de mudar-se por causa da invasão dos franceses.</p>
<p>No dia 1 de Outubro de 1810, tiveram as freiras conhecimento de que os soldados de Massena, enfurecidos com a derrota que tiveram no Bussaco dias antes, vinham a caminho de Coimbra. Sabedoras do pouco respeito que aos soldados franceses mereciam as preciosidades do nosso País, apressaram-se elas em esconder as melhores alfaias do Convento e, apressadamente, retiraram também do seu lugar o túmulo da Rainha Santa, o objecto da sua mais estremecida estima, indo ocultá-lo numa cela do dormitório, a última do lado esquerdo, onde dois pedreiros de absoluta confiança o entaiparam, sob um arco que engenhosamente foi disfarçado com uma cortina de alvenaria.</p>
<p>Aí se conservou o túmulo da Rainha Santa até ao ano de 1814, data em que se restabeleceu a paz geral, sendo então novamente mudado para o seu lugar com grande regozijo das freiras clarissas e ainda mais do povo de Coimbra, que ansiosamente desejava acercar-se do túmulo da sua desvelada Protectora, da sua excelsa Padroeira.</p>
<p>Infelizmente, não pararam aqui as mudanças a que esteve sujeito o túmulo da Rainha Santa.</p>
<p>Quando em 1852 D. Miguel visitou esta cidade, resolveram as freiras, certamente no propósito de ver também a Rainha Santa, mudar o seu túmulo para o coro superior da igreja. Com efeito, no dia 21 de Outubro daquele ano, foi D. Miguel a Santa Clara e aí, na presença das pessoas do seu séquito, foi aberto o caixão onde está o corpo da excelsa Rainha, esposa de D. Dinis.</p>
<p>Para o mesmo efeito foi, ainda, o túmulo da Rainha Santa mudado no ano de 1852, por ocasião da visita de D. Maria II a Coimbra, e em 1860, quando aqui esteve El-Rei D. Pedro V. De então até 1912, conservou-se sempre o túmulo da Rainha Santa no referido coro.</p>
<p>Como a esta data o Convento de Santa Clara não tivesse já quem zelosamente pudesse cuidar do túmulo da Rainha Santa, e porque o local onde ele estava não oferecia as necessárias condições de segurança, podendo facilmente ser violado por aqueles que vieram estabelecer residência neste convento, praticando talvez um desacato que ferisse profundamente as crenças dos devotos da Rainha Santa, conseguiu a Mesa desta Confraria que o túmulo fosse mudado para o lugar que lhe era mais próprio, a tribuna da Capela-Mor da igreja, lugar onde agora se conserva e, segundo cremos, se conservará definitivamente. Porque esta mudança se deu nos nossos dias, podemos aqui reproduzir com toda a fidelidade a forma como ela decorreu, louvando nós o Senhor por nos dar ocasião de presenciar tão emocionante como piedoso acto, cuja descrição respigamos de um jornal desta terra (Gazeta de Coimbra, de 20 de Março de 1912).</p>
<p>“Do coro superior da Igreja de Santa Clara, foi no domingo trasladado para a tribuna da Capela-Mor da mesma igreja, o riquíssimo túmulo de prata e a respectiva urna que encerram o venerando corpo da Rainha Santa.</p>
<p>“Esta trasladação, sem dúvida motivada pelos rumores que corriam nesta cidade, rumores estes em que se salientavam até actos menos respeitosos, fez-se com a possível reserva afim de evitar aglomerações nada convenientes ao bom êxito da trasladação.</p>
<p>“Ainda assim, o número de pessoas que se reuniu no templo de Santa Clara, na ânsia de assistir a tão piedoso acto, foi elevado, vendo-se ali representadas muitas das principais famílias de Coimbra.</p>
<p>“Perto das 5 horas da tarde, quando estavam concluídos os preparativos para a deslocação do túmulo, a entrada no coro foi rigorosamente interceptada, ficando ali apenas, além do pessoal necessário para a trasladação, os srs. Francisco José da Costa e António Augusto Lourenço, da Mesa da Rainha Santa, Francisco Nazaré, Joaquim Rasteiro Fontes, Custódio José da Costa, Adriano Ferreira Rocha e João Ribeiro Arrobas, os quais foram convidados a examinar as fitas lacradas que ligavam a tampa do túmulo.</p>
<p>“Verificada a sua inviolabilidade, foram quebradas as fitas e retirada de dentro do túmulo a urna em que repousa Santa Isabel. Esta operação, é bom frisá-lo, foi feita com o maior respeito, e o seu bom êxito deve-se, sem dúvida, aos srs. António Augusto Gonçalves e António Viana, que, mui sensatamente, dirigiram os trabalhos da trasladação.</p>
<p>“No momento em que ia conduzir-se para a tribuna da Igreja o caixão em que se encerra o corpo da Rainha Santa, uma comissão de senhoras obteve do sr. António Augusto Gonçalves permissão para conduzir a urna, sendo pois esta transportada pelas seguintes: D. Maria do Carmo Jóice Dinis, D. Maria de Gusmão Galvão, D. Elvira Refoios de Matos, D. Maria José Jóice Dinis, D. Maria Amélia Carneiro de Sousa Pires, D. Isabel de Sousa Coutinho (Linhares), D. Tafones Roxanes de Carvalho, D. Maria do Carmo Forjaz, D. Maria do Céu Pinto e D. Matilde de Matos Mancelos Aragão.</p>
<p>“Logo que a urna deu entrada na Capela-Mor, as inúmeras pessoas que ali a aguardavam prostraram-se respeitosamente na mais viva e sincera contemplação, vendo-se em muitos olhos o deslizar de lágrimas constantes. É que dentro daquele ataúde está em repouso, não só o corpo de uma mulher nobre por excelência e virtuosa e santa pelos rasgos generosos da sua cândida alma, mas, o que é mais, por estar ali concentrada a fé ardente e sincera de milhares de crentes que nos transes dolorosos da sua atribulada existência envolvem nas suas fervorosas preces o nome da Rainha Santa como um bálsamo consolador para as suas misérias e para as suas desditas.</p>
<p>“Por isso as pessoas que ali se reuniram para assistir à passagem da Rainha Santa viveram bem felizes aquele rápido momento da existência. A noite, porém, ia avançando e era forçoso pôr termo aos trabalhos da trasladação, colocando-se no local designado o ataúde da Rainha Santa.</p>
<p>“Feito este serviço o povo começou a retirar-se, louvando a nobre ideia de trasladar para a Igreja a santa querida que passou a vida na senda do bem, espalhando por toda a parte o perfume das suas rosas, que são aquelas que lhe engrinaldam o nome querido e ainda hoje digno de todo o respeito”.</p>
<p><strong>Capítulo V. Aberturas do túmulo e caixão da Rainha Santa</strong></p>
<p>Por ser muito curiosa, damos neste lugar a notícia das vezes que tem sido aberto o túmulo e caixão da Rainha Santa.</p>
<p>A notícia descritiva desses actos tão solenes extraímo-la da notável obra do Exmo Sr. Dr. António Ribeiro de Vasconcelos — “D. Isabel de Aragão” —, primoroso trabalho que S. Exª publicou em 1894, e que é bem um autêntico testemunho das suas altas qualidades de escritor erudito e consciencioso.</p>
<p>I. — Segunda-feira, 26 de Março de 1612.<br />
II. — Quarta-feira, 27 de Outubro de 1677.<br />
III. — Domingo, 11 de Janeiro de 1695, na capela que provisoriamente serviu de igreja no novo Mosteiro.<br />
IV. — Segunda-feira, 2 de Julho de 1696, às 8 horas da manhã.<br />
V. — No mesmo dia, horas depois, nova abertura pelas freiras do convento, por estas não terem assistido como desejavam à primeira cerimónia.<br />
VI. — No dia 4 do mesmo mês e ano foi novamente aberto o túmulo por se desconfiar que as freiras, num excesso do seu amor para com a Rainha Santa, se tivessem apropriado de algumas relíquias ou mesmo furtado o seu corpo, ocultando-o em sítio só por elas conhecido.<br />
VII. — Segunda-feira, 9 de Agosto, foi o túmulo aberto na presença de D. Pedro II.<br />
VIII. — Domingo, 29 do mesmo mês e ano, na presença de D. Carlos, Arquiduque da Áustria.<br />
IX. — Domingo, 21 de Outubro de 1832, na presença de D. Miguel e das Infantas, D. Isabel Maria e D. Maria de Assunção.<br />
X. — Domingo, 25 de Abril de 1852, na presença de D. Maria II, de El-Rei D. Fernando, seu esposo, do Príncipe Real D. Pedro e do Infante D. Luís.<br />
XI. — Quinta-feira, 17 de Junho de 1852, para serem substituídas as vestes que amortalhavam a Rainha Santa por outras oferecidas por D. Maria II.<br />
XII. — Quinta-feira, 29 de Novembro de 1860, na presença de D. Pedro V e de seus irmãos D. Luís e D. João.<br />
XIII. — Quarta-feira, 22 de Outubro de 1862, na presença do Príncipe Humberto, depois Rei de Itália, que foi hóspede da nossa Universidade.<br />
XIV. — Quarta-feira, 9 de Dezembro de 1863, na presença de El-Rei D. Luís e de sua esposa D. Maria Pia.<br />
XV. — Quarta-feira, 21 de Junho de 1865, na presença de D. Isabel Cristina, Princesa Imperial do Brasil e de seu esposo, o Conde de Eu.<br />
XVI. — Sábado, 4 de Julho de 1868, na presença do Infante D. Augusto.<br />
XVII. — Segunda-feira, 4 de Março de 1872, na presença de D. Pedro II, Imperador do Brasil.<br />
XVIII. — Quarta-feira, 14 de Maio de 1875, na presença de El-Rei D. Fernando, do Infante D. Augusto e da Condessa de Edla.<br />
XIX. — Terça-feira, 24 de Dezembro de 1889, na presença dos Imperadores do Brasil.<br />
XX. — Sábado, 25 de Julho de 1892, na presença de El-Rei D. Carlos, D. Amélia e do Príncipe D. Luís Filipe.<br />
Finalmente, no dia 28 de Março de 1912 procedeu-se a nova e última abertura do ataúde da Rainha Santa.</p>
<p>Como decorreu este acto di-lo uma das testemunhas que a ele assistiram e que fielmente fez reproduzir na “Gazeta de Coimbra”, de 30 de Março de 1912.</p>
<p>Como o número do jornal que publicou esta notícia rapidamente se esgotou, embora a sua tiragem tivesse sido muito aumentada, entendemos por bem reproduzir aqui o texto desse artigo:</p>
<p>“Noticiámos, há dias, a trasladação do túmulo com o corpo da <a href="https://alternativaportugal.org/sao-nuno-de-santa-maria-exemplo-de-amor-a-patria-e-santidade/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Rainha Santa Isabel</a>, do coro de cima do extinto Convento de Santa Clara, onde estava indevidamente desde novembro de 1860. Foi na quarta-feira, 28 deste mês e ano, que as freiras clarissas, a pretexto de irem no dia seguinte o Rei D. Pedro V e os seus irmãos D. Luís e D. João àquele mosteiro beijar a mão da Santa Rainha, e mais comodamente o poderem fazer no coro do convento do que na tribuna do Altar-Mor, trasladaram o caixão com o corpo, e não mais o deixaram voltar para o seu sítio.</p>
<p>“Entretanto é indiscutível que muito melhor se acha na bela tribuna, revestida de talha dourada, propositadamente feita para ele sobre o Altar-Mor, onde esteve exposto à veneração dos fiéis durante 146 anos, desde a tarde de 5 de Julho de 1696, em que foi para ali transportado em soleníssima procissão pelos bispos da Guarda, Lamego, Portalegre, Viseu, Leiria e Miranda, sob a presidência do bispo-conde D. Fr. Álvaro de S. Boaventura, que oito dias antes, a 26 de Junho, havia sagrado a nova Igreja de Santa Clara.</p>
<p>“Hoje damos aos nossos prezados leitores uma outra notícia, ainda respeitante ao mesmo assunto.</p>
<p>“Espalhou-se, há tempos em Coimbra, com bastante insistência, o boato de que o túmulo da Rainha Santa havia sido violado; e, embora se verificasse, quando há dias se fez a trasladação, que os selos que o fechavam permaneciam intactos, é certo que recrudesceu depois disto o rumor de que o caixão transportado do coro para a Capela-Mor se encontrava vazio. Em face de tal boato, tornava-se necessária a verificação, abrindo-se o túmulo com devidas formalidades, antes da aposição de novos selos.</p>
<p>“Foi este acto que se realizou anteontem, quinta-feira, 28 do corrente, pelas 9 horas da manhã.</p>
<p>“Achavam-se presentes apenas os srs. cónego José Dias d&#8217;Andrade, representando o sr. bispo-conde; António Augusto Gonçalves, presidente da Câmara Municipal e director do Museu Machado de Castro; dr. Joaquim Mendes dos Remédios, reitor da Universidade; dr. António José Gonçalves Guimarães, professor da Faculdade de Ciências; dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos, presidente da Confraria da Rainha Santa Isabel; Francisco José da Costa, tesoureiro da mesma; António Viana, fiel do Museu Machado de Castro.</p>
<p>“Principiou por ser presente um invólucro, devidamente lacrado e selado, no qual externamente se lia a declaração de que continha as chaves do caixão da Rainha Santa, que ali foram encerradas e seladas a 23 de Julho de 1892, em seguida ao acto de ser fechado o túmulo, depois da visita que a ele fizeram naquele dia o Rei, Rainha e Príncipe. Verificado que os selos estavam intactos, foi aberto o invólucro, e apareceram duas chaves, uma de prata e outra de ferro, ligadas por uma cadeia de prata.</p>
<p>“Depois, abriu-se o túmulo de prata, e tirou-se dele o caixão de madeira, forrado de rico brocado de seda e ouro, e com quatro belas fechaduras. Todos verificaram cuidadosamente que não acusava sinal algum de arrombamento; e em seguida, abertas as fechaduras e retirada a tampa, apareceu uma ostentosa colcha de brocado, igual ao que veste por dentro e por fora o caixão, sendo guarnecida de galão de ouro, e forrada de seda carmesim. Levantada esta cobertura, apareceu outra perfeitamente igual à primeira, e por baixo dela um véu transparente, através do qual se via nitidamente a mão da Santa Padroeira, e o hábito de seda cinzenta que vestia o corpo. Cobrindo-lhe a cabeça havia um véu espesso de seda branca, sobre outro de fino linho, que lhe desciam até ao peito.</p>
<p>“Levantaram-se sucessivamente todos estes véus, e observou-se minuciosamente a mão direita, o rosto e os dois pés, que estão descalços e em perfeito estado de conservação. Não se levou mais longe o exame, por ser desnecessário.</p>
<p>“A mão da santa e virtuosíssima esposa de D. Dinis foi beijada com piedoso fervor por aqueles dos presentes que tiveram essa devoção.</p>
<p>“Terminado o acto de verificação, foi fechado o caixão e encerrado no túmulo de prata, com aposição de seis selos. Depois selaram-se novamente as chaves, e lavrou-se o respectivo auto.</p>
<p>“E assim ficou perfeitamente demonstrada a absoluta falsidade dos boatos que correram, e a que muita gente parecia dar crédito”.</p>
<p><strong>Capítulo VI. A Igreja de Santa Clara</strong></p>
<p>Esta igreja fica situada numa vistosa colina fronteira à cidade, estando precedida de um espaçoso pátio quadrilongo, do qual se desfruta um dos mais belos e ricos panoramas de Coimbra. À entrada deste pátio, encontra-se ainda hoje uma forte corrente de ferro que servia para dar o direito de defesa aos criminosos perseguidos.</p>
<p>O templo, que é de magnífica construção e de uma só nave, é fabricado no estilo romano; os retábulos dos seus altares são dignos de ser admirados, revelando-se neles a perfeição e gosto artístico que presidiu à sua execução.</p>
<p>Ao fundo da igreja, e nos lados da grade do coro, estão dois túmulos de pedra artisticamente ornados, tendo nos tampos figuras de mulheres jacentes. O do lado do Evangelho, encerra os ossos da Infanta D. Isabel, filha de D. Afonso IV, falecida com pouco mais de 2 anos, e o do lado da Epístola supõe-se conter os restos de D. Maria, filha de D. Pedro I e de D. Constança.</p>
<p>Estes dois túmulos vieram também do velho Convento de Santa Clara, logo após a mudança da comunidade.</p>
<p>Dentro do coro da igreja, em lugar menos próprio por falta de luz, conserva-se ainda hoje o túmulo de pedra onde primitivamente esteve depositado o corpo da Rainha Santa, túmulo este que, segundo as melhores opiniões, ela mandara fabricar em vida. As suas faces laterais são guarnecidas de várias imagens e de onze estatuetas de freiras metidas em nichos de gracioso desenho.</p>
<p>Sobre este túmulo, vê-se estendida a figura da Rainha Santa envolta no hábito de freira clarissa, sobraçando o bordão de peregrina, uma bolsa e um livro de orações.</p>
<p>A cabeça da imagem, primorosamente esculturada, repousa num largo almofadão a coberto de um elegante baldaquino, sendo este ladeado por dois anjos, em atitude de turificarem(4) a Rainha Santa.</p>
<p>Tanto este coro como o que lhe fica superior eram adornados com riquíssimos altares de boa talha, muitos quadros de subido valor e bastantes imagens por quem as religiosas nutriam a mais piedosa devoção.</p>
<p>Muitos destes preciosos objectos estão depositados no Museu Machado Castro, em Coimbra.</p>
<p>Voltando à igreja, onde se admira a preciosa estátua da Rainha Santa, essa delicada jóia que Teixeira Lopes delineou em momentos de feliz inspiração e perante a qual instintivamente se têm curvado tantos milhares de pessoas de todas as classes sociais, chamamos a atenção do leitor para os quadros que adornam a Capela-Mor da igreja, quase todos referentes à vida da Rainha Santa, e recomendamos-lhe especialmente a sua visita ao museu de alfaias religiosas, que a Confraria instituiu junto da igreja e aonde se encontram algumas preciosidades de raro valor artístico.</p>
<p>Esse museu, que fica situado no lado direito da Capela-Mor, é precedido de um espaçoso corredor que serve de galeria dos irmãos beneméritos. Ao fundo, noutra sala mais espaçosa, estão guardados os objectos de maior valor pertencentes à Confraria, figurando entre eles alguns que eram do uso da Rainha Santa. Neste precioso museu, está exposto um colar de pedras preciosas com que a Rainha Santa costumava adornar as donzelas pobres no dia do seu casamento, guardando-se também ali algumas peças do seu vestuário e a roupa com que foi amortalhada. Todos estes objectos devem merecer uma particular atenção aos visitantes de Santa Clara.</p>
<p>A respectiva Confraria é digna dos maiores louvores pela dedicação e zelo que tem mostrado na conservação deste museu, procurando enriquecê-lo cada vez mais com a aquisição dos objectos que digam respeito à Rainha Santa. Ultimamente, foi ali exposto o “Breve Original”, obtido por El-Rei D. João III da Cúria Romana, e pelo qual é extensivo a toda a nação o culto de Santa Isabel. Este documento, muito bem conservado ainda, é digno de particular atenção pelo fino desenho dos seus ornatos e caracteres.</p>
<p>O claustro de Santa Clara, situado no lado esquerdo da igreja, é também digno de ser visitado. As suas majestosas proporções, as arcadas, e as graciosas varandas que o circundam, formam um conjunto agradável ao nosso sentimento, transportando-nos à vida de um mundo superior, em tudo mais perfeito e harmonioso.</p>
<p>O nosso espírito banha-se de uma clarividente realidade que nos inebria, que nos consola e seduz. Na paz daquelas arcadas, contemplamos o mundo despido de lutas inglórias, de ódios e malquerenças, e a nossa imaginação, livre das contrariedades e dos sobressaltos fomentados pela vida presente, embala-se no doce arroio das avezinhas que saltitam pelas árvores floridas quase obrigando os nossos lábios a murmurar com elas: “Bendito seja o Senhor!”.</p>
<p>O vasto e grandioso edifício de Santa Clara, onde durante alguns séculos se abrigaram muitas senhoras da mais pura linhagem, e onde se praticaram tantos actos de piedosa devoção, serve hoje de quartel ao Regimento de Infantaria 35.</p>
<p>A parte que serviu para hospedaria do Mosteiro e que está situada do lado sul, é hoje ocupada por um grupo do Regimento de Artilharia.</p>
<p>As festas com que Coimbra rende o seu culto à Rainha Santa são das mais importantes e fervorosas que se realizam em Portugal. Nos anos em que são levadas a efeito, a cidade veste-se das melhores galas para receber a sua excelsa Padroeira e todos os conimbricenses, num amplexo de verdadeiro regozijo e satisfação, cooperam no brilhantismo desses festejos esforçando-se para lhe dar o maior luzimento possível.</p>
<p>A grandiosa procissão em que é conduzida a imagem da Rainha Santa compõe-se de inúmeras confrarias e centenas de crianças vestidas de anjo, fazendo o trajeto de Santa Clara para Santa Cruz, por entre milhares e milhares de pessoas que de todos os pontos do País vêm para assistir a tão emocionante como grandioso espectáculo. As festas da Rainha Santa, que se prolongam durante 5 dias, costumam atrair a Coimbra perto de 60.000 pessoas, não se registrando nunca qualquer desacato que possa ofuscar o brilho e a imponência dessas tão piedosas como emocionantes manifestações.</p>
<p>Com a procissão da Rainha Santa, dá-se até um facto que nos apraz registar: quando a preciosa imagem de Santa Isabel dá entrada na cidade, e ao ter de atravessar por entre a multidão que a aguarda desde a Ponte até Santa Cruz, não há joelho que deixe de se dobrar ante a majestade da sua figura! Todo aquele mar humano, que se apinha em tão longo trajecto, se curva respeitosamente perante a doce imagem da Rainha Santa, vendo-se muitos olhos marejados de lágrimas devido à comoção que todos experimentam.</p>
<p>É que aquela Imagem é o refúgio de todos os crentes. Nela estão concentradas as preces dos que sofrem, os rogos dos infelizes. E se o povo português nutre por Ela a mais terna devoção, o povo de Coimbra, que a elegeu sua medianeira junto de Deus, não esquece nunca a sua benéfica acção em prol dos desprotegidos, tributando-lhe um amor puríssimo e a mais sublimada veneração! Continue Ela a amercear-se(5) do seu povo junto de Deus, e oxalá a sua poderosa influência consiga tornar felizes na terra aqueles que lhe solicitam a sua protecção no Céu.</p>
<p><span style="font-size: 10.0pt;">________________</span><br />
<span style="font-size: 10.0pt;">(1) Frades crúzios. Cónegos Regulares da Ordem da Santa Cruz.<br />
(2) Estamenha. Tecido ordinário feito de lã.<br />
(3) Invernias. Tempo muito frio e com o aparecimento de chuvas contínuas; Inverno.<br />
(4) Turificar. Incensar.<br />
(5) Amercear-se. Ter misericórdia, compaixão.</span></p></div>
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		<title>Dia da Batalha de São Mamede e da Fundação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 09:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Batalha de S. Mamede]]></category>
		<category><![CDATA[D. Afonso Henriques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Foi em 24-06-1128, dia da Batalha de São Mamede e da Fundação, que D. Afonso Henriques iniciou a definição do território que é hoje Portugal.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://alternativaportugal.org/dia-da-batalha-de-sao-mamede-e-da-fundacao/">Dia da Batalha de São Mamede e da Fundação</a> aparece primeiro em <a href="https://alternativaportugal.org">Alternativa Portugal</a>.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>Foi em 24 de Junho de 1128, dia da Batalha de São Mamede e da Fundação, que D. Afonso Henriques iniciou a definição do território que é hoje Portugal. Nesse dia, enfrentou e venceu nos campos de São Mamede a sua mãe e o galego Fernão Peres de Trava. Portugal acabava de nascer!</strong></p>
<p>Cada país tem, pelo menos no Ocidente, um dia próprio para comemorar a Nação. A par de outras razões, os países quase sempre escolheram, para o dia da Nação, a data da sua independência. Território e língua são elementos essenciais de qualquer nação, com vontade de preservar a sua identidade. É Camões que afirma expressamente, nos <em>Lusíadas</em>, não ser a exaltação dos feitos do capitão da Índia (Vasco da Gama) a finalidade do seu canto, mas sim o louvor da Pátria, através da ilustre galeria de retratos do passado: reis e chefes militares, empenhados em engrandecer Portugal. E elevou o nosso primeiro monarca, o Fundador, às proporções de mito “cuja morte lamentam os rios e os montes da Lusitânia que ele fez reino”, e Egas Moniz, o vassalo fiel, símbolo da nobre virtude cavalheiresca da honra (cf. Canto III).</p>
<p>Entre os séculos XIV a XVII, a Batalha de Ourique foi vista como o acontecimento mais importante por se tratar de um facto sancionado pela visão miraculosa de Cristo. Mas, no século XIX, o historiador Alexandre Herculano restituiu à Batalha de São Mamede o significado nacional, passando a ser o facto mais importante por se tratar de uma acção colectiva, envolvendo a maioria dos senhores do Norte de Portugal, contra o domínio estrangeiro. Herculano chamou-lhe mesmo uma “revolução”. A mesma opinião tem o historiador José Mattoso. Daí que se considere este facto histórico como o mais adequado para  a celebração do dia da <a href="https://ipec.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Fundação de Portugal</a>.</p>
<p>Ora, uma larga vista de olhos sobre o conjunto de manifestações de ordem histórica e cultural, produzidas ao longo dos tempos, não deixará de conduzir à unidade destas três realidades: Fundação, Camões e os Portugueses. Espartilhar esta realidade é negar Portugal como Nação. É também por obra e graça da sublimidade e do talento desses dois homens — D. Afonso Henriques e Camões — que flui e emana o que há de intemporal e de imorredouro nos actos da criação do espírito dos portugueses.</p>
<h3>Dia da Batalha de São Mamede e da Fundação</h3>
<p>Como se vê, as figuras de D. Afonso Henriques e Camões completam-se nestes dois elementos: o primeiro, com o seu génio militar e diplomático deu-nos o território que temos. Por sua vez, Camões coloca como acção d’<em>Os Lusíadas </em>a história de Portugal, lançando um apelo à consciência nacional e universal de que Guimarães e a independência de Portugal é necessariamente o primeiro capítulo.</p>
<p>Dir-se-á que na medida em que as figuras de D. Afonso Henriques e de Camões se completam nos dois elementos essenciais à formação de uma nação (território e língua), tal facto justifica plenamente a celebração da comemoração no dia 24 de Junho num feriado nacional. Na verdade, não se compreende que o dia 10 de Junho seja feriado nacional e que, do mesmo modo, não o seja o dia 24 de Junho. A conexão e o significado das duas datas revelam o desacerto da decisão de manter o dia 24 de Junho, o aniversário da Batalha de São Mamede, apenas como feriado municipal, quando se trata de um facto histórico que os autores consideram como sendo o da Fundação de Portugal, razão pela qual faz todo o sentido que o dia da <a href="https://alternativaportugal.org/portugal-nasceu-ha-896-anos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Batalha de São Mamede</a>  seja considerado Dia de Portugal.</p>
<p>Saliente-se que o dia 24 de Junho, sendo dia de S. João, é feriado municipal nas duas maiores cidades do Norte do país (Porto e Braga) e é festejado em muitos outros concelhos, freguesias e até lugares, espalhados um pouco por todo o país.</p>
<p>Por tudo isto, afigura-se-nos que a criação do feriado nacional em 24 de Junho, dia da Batalha de São Mamede e da Fundação de Portugal, configura um acto de justiça para com D. Afonso Henriques e, estamos certos, encontrará apoio numa larga maioria de portugueses.</p></div>
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		<title>Portugal nasceu há 898 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alternativa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 08:15:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Batalha de S. Mamede]]></category>
		<category><![CDATA[Berço da Nacionalidade]]></category>
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		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Rei de Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de Portugal não existiria sem a Batalha de São Mamede: ela foi o seu berço. Foi nessa data que ali nasceu Portugal há 898 anos.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>O reinado de D. Afonso Henriques é, por assim dizer, uma peça inteiriça: todo ele, de ponta a ponta, é um sistema de esforços conjugados, e superiormente dirigidos, para a independência do Condado de Portugal. Sem a Batalha de São Mamede, em 24 de Junho de 1128, a história de Portugal não podia existir: ela foi o seu berço. Ali nasceu Portugal há 898 anos.</strong></p>
<p>A <a href="https://alternativaportugal.org/dia-da-batalha-de-sao-mamede-e-da-fundacao/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Batalha de São Mamede</a> é o primeiro acto decisivo, claro, que não admite dúvidas, da série gloriosa de feitos do fundador do Reino de Portugal. É o nosso grito de independência, é a nossa primeira afirmação de personalidade e de vontade. Vitorioso da hoste estrangeira, Afonso Henriques ergue voo, nas suas legítimas aspirações, e sonha o talhar de fronteiras que é o seu longo reinado.</p>
<h3>Portugal nasceu há 898 anos</h3>
<p>Génio político e militar formidável, Afonso Henriques é o obreiro máximo da nossa existência como Nação. E foi na Batalha de São Mamede que o plano grandioso se fixou, se concretizou e definiu.</p>
<p>Tudo quanto veio depois, a obra inolvidável das dinastias que se seguiram, saiu do combate dos <a href="https://ipec.pt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">campos de São Mamede</a>, em que D. Afonso Henriques passando sobre os seus sentimentos de filho, defrontou a vontade da Mãe, subjugada à influência do estrangeiro. Perdoa-se a D. Teresa essa fraqueza sentimental de uma paixão serôdia — recordando-se que também ela cooperara, ainda em vida do marido, para que as condições do condado portucalense tornassem possível o gesto audacioso de Afonso Henriques, em 1128.</p>
<p>Volvidos 898 anos sobre essa data fascinante, a Nação persiste. Foi a continuidade da Realeza que garantiu essa persistência. É nosso dever, e um dever sagrado, recordar a Batalha de São Mamede, e a figura prestigiosa do Rei que a venceu. Há 897 anos nasceu Portugal. Foi em 1128 que se ergueu o Sol magnífico. Como Portugueses, não podemos, nesta hora de “apagada e vil tristeza”, calar o grito sagrado: — Viva Portugal!</p></div>
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				<div class="et_pb_code_inner"><div class="heateor_sss_sharing_container heateor_sss_horizontal_sharing" data-heateor-ss-offset="0" data-heateor-sss-href='https://alternativaportugal.org/portugal-nasceu-ha-898-anos/'><div class="heateor_sss_sharing_ul"><a aria-label="Facebook" class="heateor_sss_facebook" href="https://www.facebook.com/sharer/sharer.php?u=https%3A%2F%2Falternativaportugal.org%2Fportugal-nasceu-ha-898-anos%2F" title="Facebook" rel="nofollow noopener" target="_blank" style="font-size:32px!important;box-shadow:none;display:inline-block;vertical-align:middle"><span class="heateor_sss_svg" style="background-color:#0765FE;width:70px;height:35px;border-radius:3px;display:inline-block;opacity:1;float:left;font-size:32px;box-shadow:none;display:inline-block;font-size:16px;padding:0 4px;vertical-align:middle;background-repeat:repeat;overflow:hidden;padding:0;cursor:pointer;box-sizing:content-box"><svg style="display:block;" focusable="false" aria-hidden="true" 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