Em Portugal a devoção ao Anjo da Guarda é muito antiga. Tomou, porém, incremento especial com as aparições do Anjo aos Pastorinhos, em Fátima no ano 1916. O Papa Pio XII, em 1952 mandou inserir a comemoração do Dia do Anjo da Guarda de Portugal no calendário litúrgico português.

Os anjos, que fazem parte do mundo invisível a que se estende também a acção criadora de Deus, vivem inteiramente dedicados ao louvor e ao serviço de Deus. A inteligência humana tem dificuldade em exprimir a natureza dessas criaturas espirituais. A sua missão, porém, é-nos conhecida através da Bíblia, que, em tantos passos, dá testemunho acerca da existência dos Anjos.

As aparições do Anjo de Portugal aos Pastorinhos de Fátima

Primeira Aparição

A primeira aparição do Anjo teve lugar na Loca do Cabeço, um local dos arredores de Aljustrel. Era um dia chuvoso naquela Primavera de 1916. Na Loca do Cabeço havia umas pequenas grutas, que ainda hoje se podem visitar, onde os pastorinhos se abrigavam. Ao acalmar-se a tempestade, saíram da gruta e foi quando se levantou um vento forte.

A pouca distância deles, no meio do olival, depararam-se com uma figura que tinha “a forma de um jovem de 14-15 anos, mais branco que a neve e transparente como o cristal atravessado pelos raios do sol, e muito belo”, segundo as palavras de Lúcia. Aproximou-se deles e disse: “Não tenhais medo. Eu sou o Anjo da Paz. Rezai comigo”.

Ajoelhou-se e inclinando o rosto até ao chão pediu para rezarem três vezes: “Meu Deus, eu acredito, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão pelos que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam”. Depois levantou-se e disse: “Orai assim. Os corações de Jesus e de Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”. Dito isto o Anjo mais branco que a neve deixou as três crianças.

Durante o resto do dia, as crianças sentiram-se tão bem que nem eram capazes de comentar o sucedido entre eles. O Francisco rezou de acordo com aquilo que a sua irmã (Jacinta) e a sua prima (Lúcia) lhe disseram, na medida em que via o Anjo mas não o ouvia.

Segunda Aparição

A segunda aparição teve lugar cerca de dois meses mais tarde. O local escolhido desta vez não foi a Loca do Cabeço, mas o poço situado atrás da casa dos pais de Lúcia. Era hora de sesta e tudo estava calmo, apenas as crianças brincavam nas traseiras da casa quando de súbito se depararam novamente com a imagem do Anjo que disse: “O que fazem? Rezai, rezai muito. Os corações de Jesus e de Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios”.

Lúcia perguntou ao Anjo como se deveriam comportar. “De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício ao Senhor em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores”.

Os pastorinhos ficaram com estas palavras guardadas. Começaram então a fazer sacrifícios e a rezar a oração que o Anjo da Guarda de Portugal lhes ensinou.

Terceira Aparição

No Outono do mesmo ano encontravam-se os pastorinhos a rezar a oração que o Anjo lhes ensinara, no local onde acontecera a primeira aparição, na Loca do Cabeço, quando subitamente o Anjo lhes aparece novamente. Nesta aparição o Anjo apresentou-se com um cálice na mão esquerda e uma hóstia na mão direita sobre o cálice e da qual caiam pingas de sangue.

O Anjo ajoelhou-se ao lado dos pastorinhos, deixando o cálice e a hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra e repetiu três vezes a oração: “Santíssima Trindade Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da Terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do seu Sacratíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores”.

O Anjo levantou-se, tomou com ele o cálice e a hóstia que tinham ficado suspensos, deu a hóstia à Lúcia e o conteúdo do cálice ao Francisco e à Jacinta, dizendo, ao mesmo tempo: “Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o Vosso Deus”.

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