Vacinado há muitos anos contra o vírus do esquerdovid, fiquei com imunidade suficiente para passar incólume por “campanhas eleitorais” como a que está a acabar. A imunidade que conquistei, até me permitiu assistir, divertido, do lado direito da bancada, à peça cómica “O Caso do Batom Vermelho”, em que os actores e as actrizes, dando provas de igualdade de género (ou será de génera?) pintaram a boca de vermelho, cor que, aliás, lhes é própria desde sempre…

Encarniçados e encarniçadas como andam, as “bocas” — essas e as outras — não poderiam ser de outra cor…

Como se sabe, a discussão à volta do “Caso do Batom” afecta a maioria dos Portugueses, mais do que se está a passar nos hospitais e nas filas intermináveis de ambulâncias à espera de atendimento, do que o adiamento de cirurgias urgentes na oncologia, do que o desemprego a multiplicar-se por todo o lado, do que as falências de pequenas e médias empresas, enfim, do sofrimento de tantos trabalhadores, de tantas famílias que não sabem como irão pagar as contas ao fim do mês.

Aqui para nós, os do Batom e os seus amigos, ainda não perceberam nada do País profundo, do País real, cada vez mais diferente do que vem nas envelhecidas cartilhas que trazem no bolso onde guardam, também, o batom com que, agora, passaram a andar…

Há muitos anos, um lúcido ensaísta francês assinalou que a esquerda marxista anda sempre com o futuro ATRÁS…

Não será de estranhar, assim, que em vez de terem passado para o século XXI tenham passado para o século XIX…

Para mal deles… Mas para bem nosso…

José Valle de Figueiredo