Manuel Brás

Ao fim de algumas semanas de circulação de muita e contraditória informação sobre a nova estrela da imprensa, o coronavírus, é ainda difícil responder às questões mais prementes sobre este fenómeno, como, por exemplo, se isto é de facto uma epidemia com a dimensão e a mortalidade das pestes que conhecemos da História, ou simplesmente algo da dimensão de um surto de gripe habitual (mixovírus) que o pânico instalado em alguns sectores não faz mais do que ampliar. Também é interessante saber até quando a imprensa aguenta a cavalgada do coronavírus ou, se a gestão da informação e do pânico se começar a complicar, quando a mandam calar.

As principais contradições vêm precisamente da China, onde o fenómeno começou, que passa sempre a mensagem de que está tudo sob controlo e a recuperar, mas, no entanto, mantêm 60 ou 70 milhões de pessoas em isolamento em hospitais e nas suas casas, a viver em regime de termo de identidade e residência. Se a coisa não é grave, e a taxa de mortalidade é semelhante ou inferior à gripe normal, como é que se justificam medidas tão drásticas como o isolamento de tanta gente? Isto não bate certo.

Por seu lado, em Itália, por agora o país mais fustigado da Europa, que algumas fontes anglo-saxónicas atribuem a incompetência e negligência ao lidar com os primeiros casos, as taxas de mortalidade são bastante superiores aos valores apregoados pela China, com incidência crescente a partir dos 50 anos.

Por cá o Dr. Costa continua rir-se enquanto o número de contaminados vai aumentando e a “Chefa” da DGS ora diz que estão a fazer tudo e está tudo sob controlo, ora fala no cenário de 1 milhão de infectados… Em que é que ficamos?

Como sempre, a receita para não se ser manipulado não pode ser, obviamente, repetir o que se ouve dizer, esse desporto tão favorito na sociedade portuguesa, mas sim tentar pensar pela própria cabeça, procurando evidências e, sobretudo, muito mais que ouvir o que a imprensa associada ao regime diz, saber o que pensa e o que quer.

Objectivamente, o crescimento do número de mortos por infecção com coronavírus em países próximos, como a Itália e a Espanha, é preocupante e um sinal de alarme, sobretudo para os escalões etários mais elevados. Não deixa de ser uma coincidência muito curiosa que, num momento em que os políticos em alguns países da Europa, como Portugal, se afanam em promover a eutanásia a granel, surja uma epidemia destas, que tem como alvo especial os mais idosos. Nem de propósito.

Quem estará, por tudo isto, muito satisfeito são os ecocentristas do PAN, do PEV e do BE, e seguramente alguns do PS e do PSD (porque não?), os maiores partidários da eutanásia.

Vistas bem as coisas, e para além dos mortos, a redução das actividades industriais e económicas impostas pelo isolamento das populações em países como a China e a Coreia do Sul, a paragem de muitas estruturas, o confinamento das pessoas à sua casa, a redução da utilização de transportes, o cancelamento de inúmeras actividades em todo o mundo, saldar-se-á necessariamente numa redução da utilização de fontes energéticas e da emissão de gases com efeito de estufa; talvez também na redução do consumo de carne de vaca (parabéns ao magnífico reitor da Universidade de Coimbra) e do metano associado.

Enfim, a epidemia do coronavírus bem pode ser o paraíso dos ecocentristas, seja pelo aumento da mortalidade entre os humanos, especialmente os mais idosos e inúteis, seja pela redução das fontes de energia imposta pela paragem e cancelamento de tantas estruturas e eventos em todo o mundo, pelo isolamento dos homens, que sem dúvida os poderá fazer voltar ao Paleolítico.

Já sabemos que no ecocentrismo o ser humano é lixo para a reciclagem. O coronavírus pode ser uma boa ajuda.