Nas últimas eleições, anteriores a esta, perguntei aos representantes dos partidos políticos presentes na mesa eleitoral se seria bom ou mal, justo ou injusto, discriminar. Todos, a uma só voz, bradaram que era uma injustiça, um mal evidente. Eleições presidenciais: um enorme dilema? Então, concluí eu, tenho o dever de votar em todos os partidos listados neste boletim. Não faça isso, conclamaram em uníssono, porque assim o seu voto é nulo!

Um deles mais jovem, em trajes de escuteiro, adiantou, tendo em conta a sua idade avançada provavelmente é católico, como eu. Ora, bem sabe que a Igreja ensina que todos os católicos têm o dever de votar (ele devia reconhecer-me da missa na paróquia).

Eleições presidenciais: um enorme dilema?

Escutei em silêncio e pensei só posso votar se cometer uma injustiça, pois a Igreja está sempre a bradar contra a discriminação, dirigi-me à cabine onde demorei o tempo suficiente para simular o x que se coloca diante da escolha feita. Dobrei cuidadosamente o papel voltei à mesa onde se deposita o voto e enquanto me restituíam o cartão de cidadão proclamando vai votar fulano, numa artimanha aprendida na minha juventude idólatra, troquei o boletim pelo cartão do c., depositando este na urna enquanto escondia no bolso o boletim em branco.

Não saberei dizer por que artes mágicas o c.c., apareceu “emudecido”, isto é, sem origem e sem destino, pouco tempo depois, aqui no correio…

Talvez isto vos pareça pouco, mas em mim provoca grandes ansiedades — ter que ser submetido de novo a dilemas tamanhos? Como evitar esta catástrofe? Será razão suficiente o gélido e húmido frio destes dias que justifique precaver-me, em virtude da minha provecta idade, contra a gripe invasora? 

Padre Nuno Serras Pereira

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