Há um povo que ama a vida e deseja dias felizes! Um povo constituído por homens e mulheres, por famílias, por crianças, jovens, estudantes, trabalhadores e reformados. Um povo com todas as cores, todos os credos e origens sociais.

É o povo daqueles que todos os dias trabalham, ou voluntariamente dão o seu tempo, nas associações que apoiam as grávidas em dificuldades, apoiam as famílias carenciadas que esperam um bebé, acolhem as crianças que não têm lugar, acompanham os mais doentes e mais idosos. É o povo daqueles que no seu dia-a-dia se oferecem para ajudar a sua amiga a tomar conta dos filhos, fazem compras para o seu vizinho mais velho, visitam os doentes nos hospitais. Este povo, o Povo da Vida, é aquele que todos os dias dá a sua vida pela vida do próximo.

E é este povo que irá sair à rua no de 23 de Outubro, às 15h00, em dez cidades do país: Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Funchal, Guarda, Lisboa, Porto, Santarém e Viseu caminham juntos na 10ª Caminhada pela Vida. São dez cidades, mas uma só Caminhada, porque somos um só povo, separados pela distância, mas unidos no amor à Vida.

Saímos à rua movidos pelo amor à Vida. Não a um conceito abstracto, mas à Vida concreta cuja beleza e dignidade encontramos todos os dias na maravilha da mãe que espera o nascimento do seu filho, na beleza da família unida à volta do seu bebé, na ternura e paciência com que os idosos recebem quem os visita, na dor da doença. De tudo isto somos testemunhas, e para dar testemunho de tudo isto saímos à rua para dizer que não encontramos nada na Vida que não seja digno ou belo! A única indignidade que testemunhamos é a forma como a sociedade e o Estado abandonam aqueles que mais precisam, dando como única solução a morte higiénica.

Por isso iremos caminhar pela Vida no dia 23. Para enchermos a rua de alegria e beleza com as nossas famílias, os nossos bebés, crianças e jovens. Com os nossos adultos e idosos. Todos unidos para testemunhar que toda a Vida tem Dignidade.

E este ano temos mais um motivo para Caminhar. Deram entrada na Assembleia da República dois projectos de lei para alargar os prazos legais do aborto livre. As deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues vieram propor que o aborto livre seja legal até às 14 ou 16 semanas. Para estas deputadas, que tendo abandonado os seus partidos, de facto só se representam a si mesmas, 10 semanas não é tempo suficiente para permitir a morte do nascituro, é preciso mais quatro ou seis. Porquê? Nenhuma das duas apresenta qualquer outra razão que não seja tornar mais fácil abortar. Suponho que ambas seriam capazes de propor o aborto até ao nascimento, só para o tornar mais conveniente.

Esta nova ameaça à vida por nascer torna claro que é urgente reacender a consciência de que a vida humana é sempre digna. A consciência de que a vida dentro da barriga da mãe tem a mesma dignidade que qualquer outra. Que a vida humana não depende do tamanho ou da saúde para ser protegida. Por isso é tão importante que todos os que amam a vida saiam à rua para afirmar claramente que não nos calaremos. O amor não cansa nem se cansa, por isso dia 23 às 15h00 caminhamos mais uma vez pela Vida. Contamos contigo?

José Seabra Duque
In Religiolook