Padre Nuno Serras Pereira

A ‘proibição’ de poder receber a Sagrada Comunhão na boca, imposta, à margem da lei da Igreja, por parte da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) para além de ser uma injustiça flagrante tem um odor maçónico, senão mesmo enxofrado.

A que propósito vem a obrigatoriedade exclusiva de receber Nosso Senhor Sacramentado somente nas mãos? Razões sanitárias, secundadas pela Associação Portuguesa dos Médicos Católicos, e por outros leigos subservientes, prontos a ver uma manifestação do Espírito Santo cada vez que um Bispo ou uma Eminência tosse ou espirra? Onde estão as evidências aceites pela comunidade científica? Onde estão as provas de que os métodos usados ao longo dos séculos para a Sagrada Comunhão aos pestilentos, na boca, não são seguras?

Parece-me evidente que em tudo isto há uma agenda dissimulada ou oculta. Já agora, por que é que os bancos deverão ser distanciados ao ponto de não permitirem que os genuflectórios possam ser usados? Será que o facto de se ajoelhar constitui um perigo de ser contagiado ou de contagiar os outros? O mínimo que se pode concluir é que tudo isto é muito estranho.

Hoje no periódico na-linha (on-line) Observador vem uma síntese de uma entrevista, em podcast, do Cardeal Marto. O título do texto é o seguinte: Cardeal António Marto critica quem exige comunhão na boca apesar da pandemia. “Jesus disse ‘tomai e comei’. Não disse ‘abri a boca’”. Pessoalmente tenho as maiores dúvidas que o Senhor Cardeal tenha proferido tal monumental dislate — o Observador, aliás, já distorceu declarações do Senhor Bispo do Porto sobre a Virgindade da Santíssima Maria Mãe de Deus…

Por que é que não creio que o Senhor Cardeal tenha afirmado o que ali se diz? Evidentemente, porque seria uma idiotice singular.

Em primeiro lugar, na Última Ceia, onde foram proferidas essas palavras, são instituídos dois Sacramentos, a saber, o da Eucaristia e o do Sacerdócio Ministerial. As palavras de Jesus ‘tomai e comei’ são dirigidas aos Apóstolos, e não aos fiéis em geral. Os Bispos, não os Cardeais enquanto somente tais, são sucessores dos Apóstolos, não são mais do que eles.

Em segundo lugar, muito me admiraria que o Cardeal Marto tão aberto e defensor do ‘desenvolvimento doutrinal’ no que diz respeito aos divorciados que invalidamente se ‘casam’ pelo civil, admitindo-os aos Sacramentos, seja um ‘arqueologista’ no que respeita ao ‘desenvolvimento, aprofundamento doutrinal em relação à Sagrada Eucaristia’. A ser assim, isso significaria que actualmente deveríamos celebrar a Santa Missa reclinados (deitados) à volta de uma mesa, comer um cordeiro com ervas amargas, beber quatro taças de vinho, etc.

Haveria mais razões que poderia invocar para não dar crédito às supostas afirmações do pobre Cardeal Marto, mas creio que estas duas, para já, serão suficientes.

À honra de Cristo. Ámen.