O Papa Francisco declarou recentemente que não receber as novas vacinas contra o Covid-19 é uma “negação suicida”. Obviamente, pontificar sobre os prós e contras médicos de uma vacina não é da competência do Sucessor de Pedro, por isso podemos prescindir dessa sua opinião pessoal com a consciência tranquila e utilizar outros tipos de critérios para elucidar sobre essa questão.

Em todo caso, não é da epidemia nem das vacinas que quero falar, porque não são temas apropriados para este site, mas sim sobre o assunto do negacionismo suicida.

Além da desconfiança de que o uso cada vez mais frequente do termo negacionista, mais propagandista e ideológico do que descritivo, possa despertar em leitores sensíveis, creio que o Papa encontrou aí um assunto que poderia ser fundamental para a vida da Igreja.

Vejamos alguns exemplos em que talvez o Santo Padre pudesse desenvolver numa nova encíclica.

É negacionismo suicida…

Continuar a fingir que a obsessão da Igreja de “abrir-se ao mundo” na década de 1960 não foi um completo fracasso.

Dedicar os esforços da Igreja às ecologias, a fraternidades agnósticas universais, a progressismos, a questões políticas, a diálogos inter-religiosos, a posturas mundanas e ser a salsa de todos os molhos, em vez de evangelizar.

Silenciar (ou negar abertamente) a doutrina da Igreja quando esta não coincide com a mentalidade moderna, que é precisamente quando o mundo mais precisa de a ouvir.

Substituir a moralidade bimilenar da Igreja pelo sentimentalismo, slogans politicamente correctos, acompanhamentos, fins que justifiquem os meios e outros compromissos com o mal.

Actuar em ecumenismos que não levam ao regresso à Igreja e, portanto, não levam e não podem levar a lugar nenhum.

Continuar a celebrar liturgias que, em vez de adorar a Deus, consistem basicamente em longos discursos que nada dizem, inovações subjectivas de gosto nojento, parvoíces dos anos 60 que já eram rançosas quando foram inventadas, apenas canções superficialmente cristãs e sentimentalismo barato.

Escolher bispos moles, incapazes de enfrentar o mal e proteger os inocentes, indulgentes com os lobos e duros com as ovelhas, e muitas vezes sem fé.

Manter faculdades e universidades “católicas” que só servem para criar ateus e ressentimentos contra a Igreja, porque são dirigidas por pessoas (religiosas ou não) que odeiam o catolicismo com todas as suas forças.

Acreditar que se mantivermos um “low profile” e nos assemelharmos o máximo possível ao mundo, o mundo nos perdoará por sermos católicos.

Continuar a construir igrejas horrendas que fazem aqueles que as vêem perder a fé.

Deixar que os costumes e devoções tradicionais que nutriram tantos santos sejam perdidos.

Fingir que as crianças desta era pós-moderna e relativista são mais espertas e sabem melhor o que é a fé do que os incontáveis santos, médicos e professores que nos precederam e cujas sandálias não merecemos desamarrar.

Procurar justificar a Igreja através de obras sociais, como se a nossa missão nem sempre fosse apontar para Cristo e não para as nossas próprias realizações.

Infelizmente, os frutos dessas e de muitas outras negações eclesiais suicidas estão à vista, mas os responsáveis asseguram-nos que, se avançarmos ainda mais no mesmo caminho, certamente tudo melhorará.

Enfim, se Deus não corrigir isto, parece que vamos acabar por verificar que “os negacionismos matam”.

Bruno M.

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