Após vários meses de pandemia declarada, os acontecimentos precipitam-se a nível mundial: a propagação do vírus, mais ou menos controlado e mortífero, dependendo do local, medidas restritivas de quarentena, impostas com o pretexto de proteger a “saúde pública”, mas logo se vê, pelas excepções e seus protagonistas, que não são para levar assim tanto a sério, ou melhor, o governo não teve autoridade para fazer alguns grupos cumprir com rigor as medidas que exigiu aos mais fracos, digamos assim.

Porém, o folhetim teve novos capítulos: a morte de George Floyd, que despoletou uma onda de motins violentíssimos na América e outros menos violentos um pouco por todo o mundo. Barricadas, pilhagens, carros e edifícios queimados, assaltos, tiroteios, mortes, violência gratuita contra cidadãos anónimos sem culpa de nada… estátuas destruídas, vandalizadas, talvez numa pretensão patética de apagar a História, ou melhor uma versão da História só vista com os óculos de certa ideologia.

O que pretende esta gente com a sua violência? Se pretendem homenagear George Floyd e impedir que casos desses voltem a suceder, não se vê como é que a prática da violência gratuita o possa fazer, seja ela contra vivos ou a memória dos mortos.

E daqui a coisa descambou para a escravatura. Tínhamos começado na pandemia e já vamos na escravatura… Na douta opinião dos manipuladores políticos da História, nós agora, passados 300, 400, 500, ou até 3 ou 4 mil anos — porque os egípcios também tinham escravos e por isso seria de deitar as pirâmides abaixo —, é que somos os culpados de tudo.

Poderemos nós acreditar na inocência do governo chinês na propagação do coronavírus? Vamos acreditar que o governo chinês não pretende criar o caos para tomar o poder (político e económico) nos países com quem disputa o poder a nível mundial? Vamos continuar a acreditar que isto é tudo espontâneo, por acaso?

Vamos acreditar que a onda de violência que se abateu nos Estados Unidos, especialmente em certos locais, foi espontânea, não havia nada organizado? Então olhemos para dois locais onde a violência tem sido mais intensa e politicamente polarizada: Minneapolis (Minnesota) e Atlanta (Georgia).

Quem é o poder em Minneapolis, onde George Floyd foi assassinado? O Mayor é democrata. E o Procurador local? É democrata. E o Governador? É democrata. E o Procurador Geral? É democrata. E as Senadoras? São as duas democratas. E a da Câmara de Representantes? Também é democrata. Um Estado 100% azul. O que tem Donald Trump a ver com isto?

Quem é o poder em Atlanta? Em Atlanta queimam carros e quase tudo o que lhes vem à mão, pilha-se, destrói-se, rouba-se… ao som de “f**k Donald Trump”, numa cidade em que o Mayor é democrata, o City Council é democrata e o chefe da polícia é democrata. Mais, desde 1879 que Atlanta não tem um Mayor republicano. De novo, o que tem Donald Trump a ver com isto?

É, por isso, muito difícil acreditar na espontaneidade e na bondade de todas estas reacções, ainda mais de uma violência extrema, que usam em proveito próprio. Tal como é muito difícil acreditar na virtude da súbita ressurreição da escravatura para usar como arma de arremesso político, qual areia que se atira para os olhos.

É bom de ver como a conversa da escravatura do passado pode ser usada para fazer novos escravos, daqueles que hoje são os senhores do poder. Aliás, para escravatura já bastam as modernas escravaturas, e convenhamos que não são poucas.

A única maneira de não nos deixarmos manipular e escravizar pelas obscuras agendas políticas que nos querem vender é sermos livres e independentes, isto é, exigirmos evidências, pensar pela própria cabeça e saber desmontar o discurso falacioso e as contradições dos senhores do politicamente correcto. Nos tempos que correm, de manipulação da imprensa para veicular o pensamento único, suspeitar é o único caminho para a liberdade.

A ditadura perfeita, é uma ditadura que tem as aparências de uma democracia, uma prisão sem muros aonde os prisioneiros não têm vontade de fugir. Um sistema de escravatura aonde, graças ao consumo e aos divertimentos, os escravos têm amor à sua escravidão. (A. Huxley)

Manuel Brás