Graças ao fim do sanguinário mandato presidencial de Barack Obama, os Estados Unidos têm visto — nos últimos anos — o ressurgimento da mentalidade pró-vida, enormes cortes ao financiamento do aborto (nomeadamente à Planned Parenthood) e, mais recentemente, proibições levantadas ao aborto em vários Estados como o Alabama, Geórgia, etc.

Tem havido uma forte reacção contra essas proibições, especialmente por parte de figuras públicas do show business norte-americano. Mas a revolta não ficou por aí e várias empresas anunciaram que boicotariam esses Estados, caso confirmassem as restrições ao aborto.

Dessas empresas, a Netflix e a Disney são as mais conhecidas. Trata-se de dois gigantes multinacionais, que valem biliões de dólares em capitalização bolsista e em receitas anuais. Seria de esperar que o facto de mais pessoas virem ao mundo fosse bom para o negócio. Especialmente a Disney, cuja actividade depende em grande parte de crianças. Como é que pode querer que essas crianças sejam mortas enquanto estão na barriga da mãe? A área de negócio da Netflix depende mais dos adultos, mas as crianças que nascessem hoje seriam adultos daqui a duas décadas. Apoiar o aborto é estar “literalmente” a matar clientes para estas duas empresas. Por que razão o fazem?

A resposta é: ideologia. A ideologia abortista tomou conta de parte da sociedade ocidental, especialmente de quem detém o poder. Essa ideologia vê o aborto como um direito da mulher sobre o seu corpo, tentando ignorar o facto de que uma mãe à espera de um filho não é um corpo mas dois. Nessa ideologia o filho é como se não existisse. Não se trata duma vida humana, mas de um empecilho, algo que está a mais e deve ser removido para não causar mais danos, como se fosse um tumor ou, na melhor das hipóteses, um quisto. Portanto os responsáveis por essas empresas não estão a ver os potenciais clientes, que para eles é como se não existissem, mas apenas um ataque aos “direitos” das mulheres.

No mundo de hoje existem empresas multinacionais que têm mais poder do que alguns Estados. Esse poder é usado para fazer política e aprovar comportamentos imorais. O poder financeiro é usado para chantagear quem precisa de trabalho para sustentar a sua família. Através dessa chantagem conseguem que as pessoas façam coisas que vão contra a sua consciência e contra o bem-comum.

É preciso dizer não(!) a esta ditadura das empresas que querem impor a ideologia à sociedade. O melhor modo de fazer isso é deixar de ser cliente e fazer questão de dizer isso publicamente. Uma ideia é começar já com a Disney e a Netflix.